Isto me disse um amigo hoje, quando desabafava com ele sobre o quanto várias pessoas e coisas me têm desiludido.
E é verdade.
Deus protegeu-me de pessoas e situações que poderiam ser muito más para mim, e eu ainda me queixo?
Aquilo que eu pensei: esta pessoa enganou-me, não gostava de mim, desapareceu.
Vejo agora as coisas de outra forma, com o auxílio do meu amigo. Deus rodeou-me de protecção e disse-lhes: Afastem-se da minha menina!
Obrigada, Pai. E perdoa-me por ser tão tonta.
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sexta-feira, janeiro 17, 2014
domingo, março 24, 2013
Feliz
Hoje ao fim do dia conheci estas maravilhosas pessoas que já conhecia, e depois chego a casa a tempo de ouvir a máquina de fazer pão anunciar-me um pão de sementes com mel e manteiga (invenções), que ainda não provei mas cheira a delicioso!
domingo, março 17, 2013
Quase fim, quase início.
As férias estão a terminar, e, consequentemente, o trabalho a começar. Desta vez não me custa voltar ao trabalho. As férias foram razoavelmente boas, de descanso e brincadeira, não fora aquele acontecimento trágico relatado no post abaixo. Não fui ao funeral, não tive coragem, escudei-me nos 100 km de distância para não ouvir o eco do abismo dentro de mim. Estarei presente para vocês, Sofia, Lili, Luísa, tanto quanto me for possível, embora por experiência saiba que a vida recomeça devagar e baixinho, muito muito devagar. Não falarei dele, a não ser que vocês queiram. A vida continua aqui. E talvez muitas vezes vocês queiram ficar sozinhas. Tentarei estar, nas minhas visitas à aldeia, para quando preferirem a companhia dos amigos. O negro das vossas noites dissipar-se-á muito lentamente. E felizmente há as crianças.
quinta-feira, março 14, 2013
O Mário suicidou-se hoje. Há dezoito anos, quando o meu irmão morreu, foi o Mário que nos acolheu e nos sentou à sua mesa para que almoçássemos sossegados. Foi um gesto de amor e acolhimento que nunca esqueceremos. Há dezoito anos, penso que não lhe fora ainda diagnosticada a doença bipolar, grave e funda. Muitos períodos de profunda depressão, outros tantos de uma euforia pouco saudável. E assim se vai um homem afastando de si mesmo. Isto não foi um suicídio, Mário. Foi a doença que te foi matando, e que finalmente matou.
Descansa em paz. Nós ficamos, por enquanto. Tristes. Gostávamos de ti, sabias?
Descansa em paz. Nós ficamos, por enquanto. Tristes. Gostávamos de ti, sabias?
sexta-feira, janeiro 06, 2012
A noite passada sonhei com uma amiga que já não vejo há uns vinte anos, ou quase. E foi tão bom reencontrar-te, minha João. Que mania que tu tens de não ter facebook, nem nada disso. Já te disse que quem não tem facebook não existe? :p Sempre gostei muito de ti, sabes disso... Desde que tínhamos aí uns 12 anos, que foi quando nos conhecemos. É pá, deu-me uma saudade!
sábado, outubro 01, 2011
Da amizade, de mim.
Nas férias passadas, numa daquelas conversas de fim de tarde, enquanto se partiam e se comiam pinhões, a Paula disse-me:
- Tu tens sorte. Tens muitas pessoas que gostam muito de ti.
Tenho. É um facto. Muitos e bons amigos.
Mas não acho que seja sorte. Há sempre quem nos devolva o que damos e eu sempre me dei muito. Porque sou naturalmente afectuosa e carente de afecto. (Uma qualidade e um defeito que são apenas as duas faces da mesma moeda...)
Às vezes sou também muito má. E já várias pessoas me disseram que me perdoam coisas que não perdoariam a mais ninguém... Eu tenho a presunção de me lembrar daquela frase do evangelho: "Porque muito amou, muito lhe será perdoado".
Sou muito grata aos que me amam, e à vida.
- Tu tens sorte. Tens muitas pessoas que gostam muito de ti.
Tenho. É um facto. Muitos e bons amigos.
Mas não acho que seja sorte. Há sempre quem nos devolva o que damos e eu sempre me dei muito. Porque sou naturalmente afectuosa e carente de afecto. (Uma qualidade e um defeito que são apenas as duas faces da mesma moeda...)
Às vezes sou também muito má. E já várias pessoas me disseram que me perdoam coisas que não perdoariam a mais ninguém... Eu tenho a presunção de me lembrar daquela frase do evangelho: "Porque muito amou, muito lhe será perdoado".
Sou muito grata aos que me amam, e à vida.
quarta-feira, agosto 03, 2011
Na aldeia
Na aldeia havia hoje muitos emigrantes, de férias au Portugal. Como gosto deles, gostei de os rever. Um ano, às vezes mais, às vezes muito mais, e o afecto, a camaradagem continuam.
Os sobrinhos Diogo e Vasco ofereceram-me uma pulseira, vinda de Espanha para mim, por iniciativa deles. (Comove-me ter sobrinhos (pré-)adolescentes que são já tão independentes e continuam a gostar de mim como quando eram meninos pequenos...)
Depois levei um livro de histórias aos sobrinhos mais novos, e estive a ler-lhas e a ver com eles as ilustrações, sentada ao sol do fim de tarde, com os campos verdes por companhia. (Comove-me ter sobrinhos pequenos que me incluem nas suas brincadeiras e me recebem sempre com um abraço...)
Venho cheia de mimo recebido, hoje. E continuo a ansiar pelas férias... of course, my horse - ensinou-me há muitos anos, mais de trinta, a minha professora de inglês. Bem sei, bem sei que havia outras coisas que devia ter aprendido assim com tanto afinco, não somente os disparates tontos, mas Tontice é o meu nome do meio.
Também levei a minha mãe a visitar uma amiga num lar de terceira idade - um dos lares que eu conheço em que se vêem de facto os velhotes cuidados e acarinhados... nada daqueles depósitos de velhos onde há só cabeças baixas e cheiro a urina.
Quando a minha mãe disse, a propósito da velhice, que sentia às vezes o corpo a arquear "e assim como se quisesse inclinar-se para a frente", só me ocorreu aquele poemazinho que aprendi na escola primária:
A torre de Pisa,
em Itália,
como qualquer torre,
não fala.
Mas inclina-se para a frente e cumprimenta a gente.
Não é como a torre de Belém que não cumprimenta ninguém.
Depois dizem-me que sou uma criança traquina num corpo adulto. Tem dias...
Os sobrinhos Diogo e Vasco ofereceram-me uma pulseira, vinda de Espanha para mim, por iniciativa deles. (Comove-me ter sobrinhos (pré-)adolescentes que são já tão independentes e continuam a gostar de mim como quando eram meninos pequenos...)
Depois levei um livro de histórias aos sobrinhos mais novos, e estive a ler-lhas e a ver com eles as ilustrações, sentada ao sol do fim de tarde, com os campos verdes por companhia. (Comove-me ter sobrinhos pequenos que me incluem nas suas brincadeiras e me recebem sempre com um abraço...)
Venho cheia de mimo recebido, hoje. E continuo a ansiar pelas férias... of course, my horse - ensinou-me há muitos anos, mais de trinta, a minha professora de inglês. Bem sei, bem sei que havia outras coisas que devia ter aprendido assim com tanto afinco, não somente os disparates tontos, mas Tontice é o meu nome do meio.
Também levei a minha mãe a visitar uma amiga num lar de terceira idade - um dos lares que eu conheço em que se vêem de facto os velhotes cuidados e acarinhados... nada daqueles depósitos de velhos onde há só cabeças baixas e cheiro a urina.
Quando a minha mãe disse, a propósito da velhice, que sentia às vezes o corpo a arquear "e assim como se quisesse inclinar-se para a frente", só me ocorreu aquele poemazinho que aprendi na escola primária:
A torre de Pisa,
em Itália,
como qualquer torre,
não fala.
Mas inclina-se para a frente e cumprimenta a gente.
Não é como a torre de Belém que não cumprimenta ninguém.
Depois dizem-me que sou uma criança traquina num corpo adulto. Tem dias...
sábado, outubro 09, 2010
Eu tenho uma amiga.
Eu tenho bastantes, sou uma sortuda. Tenho amigas com quem sei que posso contar até ao fim dos meus dias e que contarão comigo para o que precisarem e para sempre. Tenho amigas que me conhecem do avesso e a quem não chocam os meus erros e as minhas fraquezas, que não me abandonam, que me fazem rir até quando estou triste. Sou muito feliz nisto. Muita gente me diz que apenas os homens são fieis e dignos de confiança, que as mulheres são invejosas e maledicentes. Eu e as minhas amigas somos cúmplices, companheiras, repartimos dores e alegrias, encorajamo-nos mutuamente a melhorar e não conhecemos a inveja. Nunca consegui este tipo de relação com homem algum. Embora goste de muitos, embora tenho por muitos um imenso carinho. Um dia escrevo uma ode às mulheres. Às mulheres da minha vida, e às muitas que não conheço, à coragem do amor e da tolerância quase maternais com que (quase) só as mulheres compreendem o mundo.
Desviei-me do assunto. Mas apeteceu-me esta homenagem e este desabafo, que ando cansada de ouvir tantas coisas injustas.
Rebeginemos: eu tenho uma amiga que é uma lutadora, e que mantém um sorriso e um brilho no olhar como conheço poucos. E não é porque a vida lhe sorria sempre. Direi que é antes porque, mesmo por entre as lágrimas, ela sorri sempre para a vida. Conheço-a há pouco tempo, a minha amiga, mas parece-me que a conheço desde que me conheço a mim. E ela lançou-se agora num projecto que é bonito e desejamos feliz. Eu poderia falar-vos desse projecto, mas ela fá-lo melhor.
Desviei-me do assunto. Mas apeteceu-me esta homenagem e este desabafo, que ando cansada de ouvir tantas coisas injustas.
Rebeginemos: eu tenho uma amiga que é uma lutadora, e que mantém um sorriso e um brilho no olhar como conheço poucos. E não é porque a vida lhe sorria sempre. Direi que é antes porque, mesmo por entre as lágrimas, ela sorri sempre para a vida. Conheço-a há pouco tempo, a minha amiga, mas parece-me que a conheço desde que me conheço a mim. E ela lançou-se agora num projecto que é bonito e desejamos feliz. Eu poderia falar-vos desse projecto, mas ela fá-lo melhor.
quinta-feira, julho 22, 2010
Para ti, Luzinha querida.
Minha doce amiga,
tu sabes que esse tipo de milagres já não acontecem aqui.
A morte dos que amamos dói porque é anti-natura. Não falo disto de cor, tu sabes. Sei que dói mesmo. Dói como se a terra fria pudesse continuar a ser desconfortável a quem já não está no seu corpo.
Mas olha, há milagres. O milagre de sabermos que os braços de Deus darão colo e vida verdadeira aos nossos mortos.
Não queria continuar a falar-te disto. É uma questão de fé, e tu tem-la.
E eu amo-te, Luzinha. Não me passa pela cabeça ter pena de ti. Não a tenhas tu também. A tristeza que hoje sentes é legítima, e precisas de vivê-la. Sabe apenas que a alegria está à tua espera ao virar da próxima esquina, que a abraçarás e ela a ti.
Eu trago-te no meu coração.
tu sabes que esse tipo de milagres já não acontecem aqui.
A morte dos que amamos dói porque é anti-natura. Não falo disto de cor, tu sabes. Sei que dói mesmo. Dói como se a terra fria pudesse continuar a ser desconfortável a quem já não está no seu corpo.
Mas olha, há milagres. O milagre de sabermos que os braços de Deus darão colo e vida verdadeira aos nossos mortos.
Não queria continuar a falar-te disto. É uma questão de fé, e tu tem-la.
E eu amo-te, Luzinha. Não me passa pela cabeça ter pena de ti. Não a tenhas tu também. A tristeza que hoje sentes é legítima, e precisas de vivê-la. Sabe apenas que a alegria está à tua espera ao virar da próxima esquina, que a abraçarás e ela a ti.
Eu trago-te no meu coração.
terça-feira, julho 20, 2010
Dia dos Amigos
Fui ali ao jardim a ver se encontrava uma flor bonita e fresquinha para colher com a minha máquina fotográfica, para vos oferecer, Amigos!
Em vez disso decidi oferecer-vos uma nuvem. Acabadinha de captar. Fofa e leve como algodão em rama, mas muito mais suave. Uma nuvem onde se possam sentar a descansar, uma nuvem que possam usar como tapete voador, uma nuvem que vos ajude a sonhar.
Gosto tanto de vocês!
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