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quarta-feira, julho 22, 2015

Até logo, pai.

No dia 17, após uns dias de internamento hospitalar no que suponho tenha sido intenso sofrimento, o meu pai faleceu.
Tinha 83 anos e viveu uma vida muito complicada: a morte da mãe no dia do seu nascimento marcava o início. Sofreu abandono familiar por parte do pai (nunca a coisa foi colocada nesses termos, eu é que o entendo assim) e uma infância carregada de responsabilidades de adulto. Uma infância sem mimo e sem riso. Passou fome. Trabalhou para além do que seria razoável pedir-se a uma criança. Naquela altura era normal e não creio que "pedir" seja o verbo adequado. Como adulto, não foi o pai que eu idealizava. Atrever-me-ia a dizer que não foi o pai de que eu precisava. Mas foi o melhor pai que soube e pôde, estou em crer. Agora partiu, para viver a sua verdadeira vida, do lado do tempo em que o tempo não conta.
No dia em que faleceu, estive tranquila. Aquele pareceu-me o desfecho sereno e desejável de uma vida carregada de sofrimento, e particularmente quando nos seus últimos anos estava acamado. Agora não sei como estou.

domingo, dezembro 29, 2013

Atravesso um período muito duro. Mas também estes nos fazem crescer, certo? E pelo poder da erosão ficarei mais polidinha, mais bonita... (fraco consolo)

domingo, junho 17, 2012

Não tenho tido nenhuma vontade de escrever. Por muitas razões mas sobretudo porque a minha vida tem andado um emaranhado de emoções, novas e velhas, muito boas e muito más. Acho que acalmámos, eu e as emoções.

quinta-feira, maio 03, 2012

Agora mesmo.

Fui ali comprar pão. E um menino pequenino, daqueles meio trôpegos que se vê que ainda mal aprenderam a caminhar, encostou-se às minhas pernas. Era suave como uma nuvem de algodão e leve como uma pétala de flor que Deus em pessoa me tivesse oferecido. Foi um instante. Mas afagou qualquer coisa muito ferida dentro do meu coração.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

"Escreve um poema" - disse ela.

- Assim de repente? Vamos a ver se consigo...

Em dois ou três minutos escrevi. E gostei do resultado final.


O amor chegou de mansinho
tocou-lhe no ombro
e sorriu.

Ela franziu o sobrolho.
Era o amor,
mas não deixava de ser um desconhecido.

- Não se atreva a tocar-me,
disse ela.

E o amor afastou-se.
Triste.

(Seria muito estranho dizer que esta é mais ou menos a história da minha vida? Eu digo coisas muito estranhas.)

terça-feira, novembro 29, 2011

Quarenta e cinco anos, Dulce, vê bem! Quarenta e cinco anos e esse coração adolescente. Devia ser proibido a gente não se tornar de facto adulta. Devia ser proibido chorar aos quarenta e cinco anos as lágrimas que devíamos ter chorado aos quinze. Um, dois, três, acabou o prazo. Não quiseste viver isto, não viveste, deixaste passar a tua oportunidade. Mas não, caramba, ficou tudo à minha espera! Tudo!

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...