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sexta-feira, março 29, 2013

# 3


Hoje é um clássico das fotografias. Gotas de água na janela. Chuva. Gosto sempre. O vidro a chorar as mágoas do mundo, a janela que nos separa do desconforto da chuva, a beleza das gotículas que desfocam a paisagem como as nossas próprias lágrimas nos desfocam a visão.
Está tudo bem por aqui. Apesar de todos os disparates que faço, apesar das distracções, apesar da casa eternamente desarrumada, apesar dos inesperados acontecimentos que nos suspendem o coração e nos fazem chorar, está tudo bem. Chora-se a mágoa no momento, chora-se também a mágoa dos dos outros porque nenhum homem é uma ilha, mas depois ficamos em paz até ao próximo abanão. Sabendo que a vida é feita de pequenos nadas e de grandes tudos. E que felizmente não temos calendário programado, nada sabemos do que nos acontecerá amanhã. Nenhuma dor é maior do que nós.  E, acho que foi Fernando Pessoa que  o escreveu, quem quiser passar o Bojador tem que passar além da dor. Ainda há-de haver esperança para todos nós. Enquanto respirarmos e até depois.

terça-feira, setembro 13, 2011

I'm back

As férias foram óptimas com p porque, caramba, merecem bem o p. Estive a tostar durante quase duas semanas e também a relaxar, e a rir, e a chorar. Porque quando é preciso chorar, chora-se. E eu aprecio muito que me deixem chorar em silêncio e me deixem estar, que continuem a conversar comigo sem me dizerem não chores ou porque é que estás a chorar? Porque preciso, porque me apetece. Parece-me óbvio, não?
Volto revigorada, embora de coração um bocadinho choroso por entre os muitos sorrisos, porque há coisas que não passam com as férias, só com o tempo e auto-carinho.
Beijinhos e abraços para quem aqui vem.

sexta-feira, julho 29, 2011

Do medo.

Diz que a cidade onde vivo está a tornar-se cada vez mais violenta. Suponho que se passe o mesmo nas outras cidades...
Uma amiga falava-me hoje do medo de andar à noite nas ruas, na tal cidade cada vez mais vilolenta.

Não é disso que tenho medo.
Tenho medo deste mundo em que cada notícia nos enlouquece um pouco mais.
Tenho medo de viver num mundo em que um gajo qualquer ouve música enquanto mata dezenas de pessoas, uma a uma.
Tenho medo desta espécie de gangrena que nos vai aniquilando.

sexta-feira, julho 01, 2011

Em Agosto faz dezassete anos...

Tenho passado estes dias mais ou menos a leste do que se passou com Angélico Vieira, que aliás não sabia quem era. Mas hoje, porque não estava em minha casa e na casa dos outros mandam eles, vi o telejornal. As imagens do funeral dele tocaram-me muito fundo. Um caixão. Um jovem. E eu recuei dezassete anos até um outro dia, um outro caixão, um irmão com vinte e quatro anos. Foi como se tivesse sido hoje. O meu coração voltou a sangrar. Chego à blogosfera e vejo que não fui a única a quem este funeral de hoje avivou dores que suavizam mas nunca passam. Somos muitos, somos demasiados os que compreendemos por dentro estas perdas.

quinta-feira, abril 14, 2011

Também vos acontece?

Quando não estou nos meus dias, basta que me toquem nalgum ponto sensível para eu explodir de tristeza e raiva. Às vezes a coisa é tão extemporânea que fico com mais raiva e vergonha de mim. E cansada, fisicamente cansada, como sempre que estou triste ou estive agitada. Parece que o meu corpo me pede que me acalme e descanse. Já aprendi que não vale a pena massacrar-me com isso depois, porque o que está feito feito está, e nem sempre tenho oportunidade de pedir desculpa. Ontem fiz uma cena dessas, e foi a primeira coisa de que me lembrei hoje quando acordei. Depois pensei para comigo, "deixa lá", virei-me para o outro lado e adormeci de novo para sonhar com férias.
Para não dizer "paz à minha alma", que por força das circunstâncias em que habitualmente se diz, é um bocado mórbido, eu desejo paz para o meu espírito e o meu coração. E agora vou fazer o jantar para levar para o trabalho.

sábado, julho 17, 2010

Zangada

E desiludida, talvez magoada. Na próxima encarnação quero nascer cão, gato ou formiga, qualquer coisa menos humana. Ensinaram-me a ser honesta e autêntica, coisas que só servem para que outros me enganem com mais facilidade.

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...