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sábado, dezembro 06, 2014
terça-feira, abril 30, 2013
DIVAGAR, divagarinho. Divagações, di bagacinhos.
Há tanto tempo que não escrevo um texto de jeito que me parece que já nem sei escrever. Será porque me sinto vazia ou porque me sinto intraduzível, não sei bem.
Queria pôr aqui umas fotografias, mas o soalho do meu quarto engoliu-me o carregador da máquina fotográfica, e ela diz que sem bateria não tem obrigação de funcionar.
O meu dia a dia é feito de coisas simples e banais, como sempre foi, e vou rindo e chorando, vou-me emocionando às vezes... E contudo, eu que nunca fui superficial, sinto-me superficial. Ou talvez não eu, talvez superficiais sejam as coisas à minha volta, que não consigo que verdadeiramente me preencham e façam sentido. Sinto falta de Deus. Bem sei que Ele está sempre comigo, sou eu que não estou com Ele. Pelas mil distracções dos meus dias e pelo eco de tantas palavras e pensamentos, quando apenas queria acomodar-me nos Seus braços. Dá trabalho, chegar a Deus.
E depois, os meus Amigos, espalhados pelos quatro cantos dum país que não canta. Antes chora, o meu país chora.
Mas estão os meus sobrinhos ao virar da esquina (uma esquina que fica mais ou menos a cem quilómetros, mas vá lá...) que me enchem o coração de abraços e da palavra tão doce... "tia". "Tia" na voz dos meus garotos enche-me por dentro com o rumor de um mantra de paz. Como quando me deito na areia, me confundo com a areia, sou areia, de rosto virado para o mar e ouvidos atentos. O mundo inteiro cabe no som das ondas... tenho saudades de ser simples. Tenho saudades de não ter sono. Porque o meu sono - sinto-o - é falta de vontade de vida,
"Dá-te por feliz por teres um emprego", já sei que mo dirão, eu própria mo digo, mas a felicidade não chega por ser razoável ou justo senti-la. A felicidade É. Ou então não é. Estou farta de centro comerciais. Farta de um centro comercial em particular. Um fábrica de simular alegria. E cada vez mais clientes casmurros e mal dispostos. Cada vez mais gente que pensa que um balcão divide as pessoas do lixo. Sim, eu estou do lado do lixo. Do lado daqueles a quem não é preciso cumprimentar, do lado daqueles a quem às vezes por favor se cumprimenta, o rosto virado para o outro lado. Os não olháveis. Os funcionários fabris de vender sorrisos e objectos. Os funcionários febris.
Mas há os outros clientes: os que olham e falam e sorriem e pedem por favor. Os que compensam. Os que nos alegram as horas de trabalho, aqueles com quem nos rimos e a quem desejamos oferecer o melhor sorriso e o melhor atendimento.
Assim vai a minha vidinha, Assim vai a Vida. E conquanto eu o esqueça demasiadas vezes, ela vale a pena.
Queria pôr aqui umas fotografias, mas o soalho do meu quarto engoliu-me o carregador da máquina fotográfica, e ela diz que sem bateria não tem obrigação de funcionar.
O meu dia a dia é feito de coisas simples e banais, como sempre foi, e vou rindo e chorando, vou-me emocionando às vezes... E contudo, eu que nunca fui superficial, sinto-me superficial. Ou talvez não eu, talvez superficiais sejam as coisas à minha volta, que não consigo que verdadeiramente me preencham e façam sentido. Sinto falta de Deus. Bem sei que Ele está sempre comigo, sou eu que não estou com Ele. Pelas mil distracções dos meus dias e pelo eco de tantas palavras e pensamentos, quando apenas queria acomodar-me nos Seus braços. Dá trabalho, chegar a Deus.
E depois, os meus Amigos, espalhados pelos quatro cantos dum país que não canta. Antes chora, o meu país chora.
Mas estão os meus sobrinhos ao virar da esquina (uma esquina que fica mais ou menos a cem quilómetros, mas vá lá...) que me enchem o coração de abraços e da palavra tão doce... "tia". "Tia" na voz dos meus garotos enche-me por dentro com o rumor de um mantra de paz. Como quando me deito na areia, me confundo com a areia, sou areia, de rosto virado para o mar e ouvidos atentos. O mundo inteiro cabe no som das ondas... tenho saudades de ser simples. Tenho saudades de não ter sono. Porque o meu sono - sinto-o - é falta de vontade de vida,
"Dá-te por feliz por teres um emprego", já sei que mo dirão, eu própria mo digo, mas a felicidade não chega por ser razoável ou justo senti-la. A felicidade É. Ou então não é. Estou farta de centro comerciais. Farta de um centro comercial em particular. Um fábrica de simular alegria. E cada vez mais clientes casmurros e mal dispostos. Cada vez mais gente que pensa que um balcão divide as pessoas do lixo. Sim, eu estou do lado do lixo. Do lado daqueles a quem não é preciso cumprimentar, do lado daqueles a quem às vezes por favor se cumprimenta, o rosto virado para o outro lado. Os não olháveis. Os funcionários fabris de vender sorrisos e objectos. Os funcionários febris.
Mas há os outros clientes: os que olham e falam e sorriem e pedem por favor. Os que compensam. Os que nos alegram as horas de trabalho, aqueles com quem nos rimos e a quem desejamos oferecer o melhor sorriso e o melhor atendimento.
Assim vai a minha vidinha, Assim vai a Vida. E conquanto eu o esqueça demasiadas vezes, ela vale a pena.
terça-feira, agosto 23, 2011
Divirto-me muitas vezes com os clientes. As minhas colegas dizem que atraio conversas surrealistas. Na verdade, eu acho que as alimento:
- Posso ajudar?
- Não, ando à procura de alguma coisa fora do normal...
- Mas "fora do normal" no sentido de esquisito ou no sentido de extraordinário?
- Posso ajudar?
- Nunca se sabe, nunca se sabe!
E o cansaço, o que faz:
- Boa noite e F5
-?
(F5 é a tecla para finalizar a venda)
- A Nossa Senhora já leu a revista?
(A senhora já leu a nossa revista? - era isto o que eu queria dizer)
- Agradecia que fizessem uma filha no meio da loja. Uma fila, não é uma filha...
(Isto foi na altura do Natal, toda a gente estava com pressa e de cara fechada, e foi lindo de ver toda a gente a rir. Viva o espírito natalício, viva eu!)
Pronto: hoje preciso de recordar coisas giras, coisas que me fazem sorrir, e que fazem sorrir as pessoas à minha volta, mesmo quando somos uns para os outros perfeitos desconhecidos. Sorrir une as pessoas e faz o mundo ficar mais bonito. Nem que tenhamos todos que ser um pouco tolos.
- Posso ajudar?
- Não, ando à procura de alguma coisa fora do normal...
- Mas "fora do normal" no sentido de esquisito ou no sentido de extraordinário?
- Posso ajudar?
- Nunca se sabe, nunca se sabe!
E o cansaço, o que faz:
- Boa noite e F5
-?
(F5 é a tecla para finalizar a venda)
- A Nossa Senhora já leu a revista?
(A senhora já leu a nossa revista? - era isto o que eu queria dizer)
- Agradecia que fizessem uma filha no meio da loja. Uma fila, não é uma filha...
(Isto foi na altura do Natal, toda a gente estava com pressa e de cara fechada, e foi lindo de ver toda a gente a rir. Viva o espírito natalício, viva eu!)
Pronto: hoje preciso de recordar coisas giras, coisas que me fazem sorrir, e que fazem sorrir as pessoas à minha volta, mesmo quando somos uns para os outros perfeitos desconhecidos. Sorrir une as pessoas e faz o mundo ficar mais bonito. Nem que tenhamos todos que ser um pouco tolos.
quarta-feira, outubro 06, 2010
Mesmo presa, posso voar.
Chegou o dia 6 de Outubro e com ele a obrigação de voltar ao trabalho. Chegaram ao fim os longos passeios sem horas marcadas, a maravilha de um tanque cheio de combustível e nenhum compromisso. Os dias enchem-se de nuvens e chuva para me encorajar a voltar.
E é bom ter um trabalho aonde voltar, é certo. Um dia vou ser muito mais livre. Mas por agora é bom lembrar que já sou livre.
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