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sábado, agosto 22, 2015

Considerações duma alma siderada.

As relações abertas deixam passar muita corrente de ar e um gajo acaba constipado.
E as cabeças abertas? As cabeças abertas são do pior, é sangue por todo o lado e massa encefálica à vista.
Por favor, senhores, fechem as cabeças e as relações!

terça-feira, julho 28, 2015

Às vezes tenho pensamentos estranhos. Olho para os velhos e vejo que lhes sobra pele por todos os lados, enrugam-se e encolhem. Pergunto-me se vamos mirrando dentro da pele que antes envolvia um corpo inteiro; talvez o processo de envelhecer seja esse, mirrar. Se não morrêssemos antes, acabaríamos por desaparecer por dentro; de nós sobraria apenas pele, e os vindouros poderiam usá-la para fazer tapetes. Se tivéssemos pêlo e o pêlo resistisse ao nada.
(Juro que bebi apenas água.)

terça-feira, julho 01, 2014

Sabes que mais, Dulce Maria? Nem toda a gente pode gostar de ti, nem todos podem entender-te. Pergunta-te: Tu gostas? Entendes-te? Isso é que é importante.

domingo, agosto 19, 2012

O escaranovo

O escaravelho nasceu, olhou-se no espelho dos olhos da sua mãe e perguntou:
- Quem sou eu, mamã?
- Quem és, na tua essência, descobrirás mais tarde. Por agora basta-te saber que és um escaravelho.
O escaravelho, que sabia por instinto as palavras todas e o seu significado, achou aquilo muito injusto. Acabara de nascer e já se chamava velho? Escara velho?
- Não, mãe, desculpa lá, eu vou ser um escaranovo. Aliás, só o corpo escarenvelhece. No fundo de mim vou ser sempre um escaranovo.

- Ok, fica combinado. Assim respondeu a mãe que, cheia de dores do pós-parto, se achava  com pouca paciência para filosofias baratas. Baratas não, escaravelhas.

quinta-feira, julho 26, 2012

Crescer

Nos últimos meses mudei tanto, mas tanto! Tanto como não mudei em anos. E foram mudanças muito positivas. Cresci muito, estou mais descontraída e mais feliz. Mais em paz comigo própria. Outros disseram de mim coisas maravilhosas, e repetiram, e eram muitos a dizer, a minha auto-estima cresceu imenso. E o medo abrandou. Sou bem mais feliz. Sei que as coisas nunca são para sempre e haverá ainda períodos negros para passar, mas por agora é aproveitar, fregueses, que a cigana está louca!

sexta-feira, março 16, 2012

Sou uma mentirosa

Aqui estou eu.

Sejam-me sinceros: interessam-vos alguma coisa as reflexões que para aqui debito?
Para mim, interessam, claro. Mas pergunto-me se não interessarão apenas a mim. O que não invalidaria que as escrevesse, escrevo o que quero, onde quero, e o que não falta são senhores e senhoras, que se julgam doutos, a dizerem e a escreverem coisas sem nenhum interesse. Mas é só para saber.

segunda-feira, março 05, 2012

Macacos no sótão

Passei uns dias muito felizes em Lisboa, dias cheios de amigos, fotos, rio, crianças e boa comidinha...
Pelo meio tive a infeliz ideia de ir ao Jardim Zoológico, onde tinha ido apenas quando era uma criança de seis anos... Não vou falar sequer do exorbitante preço do bilhete, que foi o preço que paguei por uma profunda perturbação e tristeza. Primeiro foram os bisontes, pacaças e o diabo a sete, em quintalitos apertados, rodeados dos próprios excrementos. Excrementos originais, alguns deles, os dos bisontes eram particularmente desenhados - o bisonte não tem uma tripa qualquer, tem tripas que moldam a m... como se plasticina fosse. Sim, ando particularmente atenta a excrementos, desde que li com os meus sobrinhos pequenos a história d' A toupeira que queria saber quem lhe fizera aquilo na cabeça. Querida toupeira, se tivesse sido um bisonte terias um chapéuzinho mais artístico....

O pior veio depois. O pior foram os macacos. Macacos aranhas, dizia a tabuleta. Um deus cruel pôs-me diante dos olhos um espelho convexo, e disse: Olha bem. Estes são vocês, os humanos. São brinquedos meus com que me divirto por toda a eternidade, nesta espécie de pista vos movimento como quero, e julgam vocês que são autónomos... Repara, porque é de ti que se trata. Sem alma, sem pudor, sem horas nem dias nem objectivos... Carregando os filhos às costas, defendendo cada um o seu pedaço de laranja, levando a comida à boca com essa mãozinhas peludas.... Grotescas imagens as vossas. Divertidas. Apenas bichos sem pudor nem espiritualidade alguma.
Assim gritou para dentro do meu cérebro aquele deus estúpido. Impossível ignorá-lo. "Sem pudor", repetia o eco dentro da minha cabeça. Não soube precisar quais seriam os machos e quais as fêmeas, vi umas pendurezas muito penduradas que não pareciam isso. Hoje o pai Google explicou-me que não é fácil à primeira distingui-los, porque as fêmeas têm clitóris assim exibicionistas. Terão elas o tal complexo de castração de que falava Freud?
Quis sair do zoo o quanto antes, mas aquilo era labiríntico. Ignorei vales de tigres e não sei que mais, e quando finalmente consegui sair, eu era uma menina desorientada e triste. Perdida, literalmente perdida, porque nem sequer sabia o caminho para a estação de comboios que havia de levar-me à pensão e a um banho de água quente. Mas nem o banho me aqueceu a alma. Eu supostamente não teria alma, mas ela chorava dentro de mim, desalentada.
Horas mais tarde, de regresso de um jantar em casa de amigos, sentindo-me quase louca, desabafei com a Sara, que veio trazer-me a casa. E ela ajudou-me muito, porque me ajudou a pôr em palavras isto que agora consigo escrever. Antes era apenas um emaranhado de soluços, inaudíveis do lado de fora do meu coração.
Quando me deitei, minutos depois de me despedir da minha amiga, eu disse ao deusito ranhoso: Não quero mais conversas contigo.
Chamei o meu Deus para junto de mim, e Ele disse que tinha estado lá sempre, só à espera que eu me acolhesse nos Seus braços para me limpar as lágrimas.
O dia seguinte foi de pura alegria infantil.

terça-feira, janeiro 31, 2012

Tendo ou não tendo razão, às vezes passo-me dos carretos com os outros. Disse-me uma amiga: "Conta até dez. E se não chegar, conta até vinte." Ontem tive que usar a técnica para não baratinar com alguém que estava ao telefone. Resultou, mas o tempo de silêncio enquanto eu contava mentalmente, deve ter parecido  estranho. Se alguma vez me perguntarem o porquê do silêncio, que devo dizer? "Estou a contar até vinte para não o (a) mandar à merda"?

Não, pois não?

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Auto-telegrama

Quando tudo parecer mau não é assim tanto Stop Autenticidade e simplicidade são inquestionáveis qualidades Stop Ama-te, o leite Matinal não pode andar sempre a lembrar-to Stop Sorri, é uma curva ascendente que se faz com os lábios Stop É preciso ensinar-te sempre tudo Stop Este telegrama já está a sair-me muito caro Stop

segunda-feira, setembro 26, 2011

Quem me visse metade de fora da janela da janela do primeiro andar, de máquina em punho para fotografar esta teia de aranha, diria que sou louca. Não se enganaria muito. A fotografia não ficou nada de jeito, pelo que se prova que o esforço nem sempre é recompensado. Mas para a fotografar noutro ângulo já teria que me arriscar a estatelar-me lá em baixo - eu, a máquina e a teia de aranha.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Vêm aí as férias. São já já a seguir! E como estou necessitada delas! De me desconcentrar de coisas turbulentas, de me concentrar na paz, de me estender em águas límpidas, de mergulhar no voo das aves...
Virar páginas, reescrever memórias, reinventar futuros e amar passados com as doridas promessas de outras manhãs a haver.
Quero.
Preciso.

terça-feira, agosto 23, 2011

Divirto-me muitas vezes com os clientes. As minhas colegas dizem que atraio conversas surrealistas. Na verdade, eu acho que as alimento:

- Posso ajudar?
- Não, ando à procura de alguma coisa fora do normal...
- Mas "fora do normal" no sentido de esquisito ou no sentido de extraordinário?


- Posso ajudar?
- Nunca se sabe, nunca se sabe!


E o cansaço, o que faz:

- Boa noite e F5
-?
(F5 é a tecla para finalizar a venda)

- A Nossa Senhora já leu a revista?
(A senhora já leu a nossa revista? - era isto o que eu queria dizer)

- Agradecia que fizessem uma filha no meio da loja. Uma fila, não é uma filha...
(Isto foi na altura do Natal, toda a gente estava com pressa e de cara fechada, e foi lindo de ver toda a gente a rir. Viva o espírito natalício, viva eu!)

Pronto: hoje preciso de recordar coisas giras, coisas que me fazem sorrir, e que fazem sorrir as pessoas à minha volta, mesmo quando somos uns para os outros perfeitos desconhecidos. Sorrir une as pessoas e faz o mundo ficar mais bonito. Nem que tenhamos todos que ser um pouco tolos.

sexta-feira, julho 29, 2011

Do medo.

Diz que a cidade onde vivo está a tornar-se cada vez mais violenta. Suponho que se passe o mesmo nas outras cidades...
Uma amiga falava-me hoje do medo de andar à noite nas ruas, na tal cidade cada vez mais vilolenta.

Não é disso que tenho medo.
Tenho medo deste mundo em que cada notícia nos enlouquece um pouco mais.
Tenho medo de viver num mundo em que um gajo qualquer ouve música enquanto mata dezenas de pessoas, uma a uma.
Tenho medo desta espécie de gangrena que nos vai aniquilando.

domingo, junho 05, 2011

Morri. Dêem-me três dias e ressuscito. Quem diz três dias diz três meses, quiçá três anos.

terça-feira, maio 17, 2011

Da dieta, da (in)disciplina e das pedrinhas na sandália

Here am I. Após 15 dias de dieta consegui perder 2 kg e vários cm de largura, o que me anima a continuar.
De resto a vidinha vai-se empurrando, às vezes com um sorriso, outras vezes com a minha cara de boxer das ocasiões de neura. Esta da "cara de boxer" disseram-me, foi um elogio que me fizeram. A verdade é que sou demasiado transparente, a minha cara espelha sempre o que sinto. Devia ser diferente. Devia ser diferente em muitas coisas. Por exemplo, um exemplo rasteirinho, manter a casa arrumada, que a minha casa parece muitas vezes (quase sempre) um acampamento. E já vi acampamentos mais arrumadinhos. Caraças, preciso de um Workshop de arrumação. Quem sabe de algum formador disposto a conduzir-me no início deste caminho tortuoso de tentar ser disciplinada?
Além disso, tenho saudades de ler. De me embrenhar em mundos diferentes dos meus, de me emocionar com as histórias de mil personagens, de vogar ao sabor da criatividade de outros. De que estás tu à espera, Dulce Maria?
 Pois é verdade que ando enmimmesmada, centrada sobre os meus problemas pequenos, que nem problemas são. Neuras. Pedrinhas na sandália, que o verão já chegou e eu já arrumei os meus sapatos. Arrumar é força de expressão: pûs de lado.
Aguardo as férias. Nas férias sou mais livre e mais sensata, ouço o mar e o correr do vento nas folhas altas das árvores, rodeio-me de amigos e sou muito mais feliz.

quinta-feira, abril 14, 2011

Também vos acontece?

Quando não estou nos meus dias, basta que me toquem nalgum ponto sensível para eu explodir de tristeza e raiva. Às vezes a coisa é tão extemporânea que fico com mais raiva e vergonha de mim. E cansada, fisicamente cansada, como sempre que estou triste ou estive agitada. Parece que o meu corpo me pede que me acalme e descanse. Já aprendi que não vale a pena massacrar-me com isso depois, porque o que está feito feito está, e nem sempre tenho oportunidade de pedir desculpa. Ontem fiz uma cena dessas, e foi a primeira coisa de que me lembrei hoje quando acordei. Depois pensei para comigo, "deixa lá", virei-me para o outro lado e adormeci de novo para sonhar com férias.
Para não dizer "paz à minha alma", que por força das circunstâncias em que habitualmente se diz, é um bocado mórbido, eu desejo paz para o meu espírito e o meu coração. E agora vou fazer o jantar para levar para o trabalho.

quarta-feira, março 30, 2011

Lembretes

De vez em quando escrevo lembretes para mim no telemóvel, datados para dias depois de os escrever, com mensagens positivas e esperançosas. A ideia é recordar coisas boas quando já me esqueci delas. Hoje às 16 horas o telemóvel fez-me sinal: "Não esqueças que o Senhor do universo te ama." Fez-me bem.

domingo, fevereiro 20, 2011



A minha alma tem andado assim: sombria, com pequenos laivos de sol. Razões... porquê, são precisas?

sábado, janeiro 29, 2011



Tirei uns dias de férias. Mas sem dinheiro para grandes devaneios, elas têm sido caseirinhas, com vislumbres de luz e de coisas pequenas e bonitas, como flores silvestres, chão molhado e conversas com crianças.
Ainda assim ando um bocadinho aborrecida: porque esta casa nasceu desarrumada e tarde ou nunca se endireita, porque tenho taaanto!! frio, porque me dão ganas de fazer e ter coisas que provavelmente nunca farei ou terei... e porque estou gorda como um texugo.
Ok, tudo isto tem solução, e a solução é o esforço, que é precisamente aquilo que por ora o meu corpo e a minha mente recusam.

Entretanto leio um livro, sentada num pouf, encostadinha ao aquecedor: Bipolar, Memórias de Extremos, Terri Cheney.

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...