quarta-feira, setembro 06, 2006

Esta luz pequenina

Muitas vezes tenho consciência de ser demasiado ingénua, demasiado "romântica" na idealização das soluções para as coisas, e assim não só não me ajudo como não ajudo ninguém.
O meu irmão diz "a cor não é feia", quando uma coisa é bonita mas não serve para nada.
Pois é, faltar-me-á pragmatismo.
Faltar-me-á fazer, em vez de pensar e sentir.
Mas pragmatismo não se vende na farmácia. E já lá vai o tempo (espero) de me auto-condenar por ser assim ou assado.
Há muitos anos (aí uns 20) participei numa coisa a que se chamava (e chama) convívio fraterno. Ao contrário do que testemunhará a maior parte dos jovens que viveu experiência semelhante, eu não gostei muito. A ser mais sincera: não gostei quase nada. Senti que uns eram mais iguais que os outros, que alguns estavam ali para nos dar exemplos de vida. Não gosto de exemplos de vida, nem de bons conselhos, nem de vidas de santos. Ao vivo, menos ainda. Mas isto seria (será ainda?) o meu eterno complexo de inferioridade a falar, a ver olhos no escuro e dedos apontados.
Mas nesse tal convívio fraterno aprendi uma canção de que me lembro muitas vezes, e trauteio para dentro: Esta luz pequenina / vou deixá-la brilhar
(Pois é, não sei senão o refrão :)...)
Acredito que à minha maneira um tanto infantil posso fazer alguma diferença no caminho dos que se cruzam comigo. Para esses, para dois ou três, para poucos, eu poderei fazer alguma diferença. E, tratando-se duma luz pequenina, valerá a pena deixar brilhar o que sou.

Reli o texto. Bastante contraditório. Afinal ajudo ou não ajudo sendo como sou?
Mas eu também sou contraditória, a todos os momentos penso e digo e calo coisas diferentes. Não vou emendar o texto porque isso me daria uma trabalheira do caraças, e porque foi assim que o pensei enquanto escrevia. Eu já disse: este blog é uma espécie de esplanada em que me sento a beber um copo.
Falei e disse. Agora vou. Paguem a conta, por favor.

Interrogações e incongruências

Estou muito cansada hoje, e ainda vou trabalhar. Antes, uma meia hora de descanso, que bem mereço. Mas antes ainda, quero falar-vos disto:
Estive em Coimbra em formação profissional. De regresso, na estação de comboios, andava um garoto a vender pensos rápidos. Garoto de 10, 11 anos (talvez). Não quis comprar. Resisto, sempre. Mas este garoto comoveu-me, desnorteou-me. Pelas razões conhecidas, pelas lágrimas nos olhos grandes, no rosto maltratado. Um rosto de menino menino, de muito sol antigo e manchas de despigmentação. Que não tinha nada, que só queria vender os pensos e ir para casa, que ninguém queria comprar, que a mãe lhe batia se os não vendesse.
Que merda!
Que vontade de acreditar num mundo onde se pudesse pegar pela mão estes meninos, e levá-los para um lugar onde fossem tratados com a ternura que todos os meninos precisam e merecem. Mesmo que o garoto me estivesse a contar o conto do vigário.
Vontade de trazer comigo o garoto. De lhe oferecer um banho, e de o deixar dormir na minha cama. E de lhe dar um abraço, logo à noite, ao chegar do trabalho. Delírios, eu sei. E estas crianças já criaram defesas, já se escudam nas mentiras, já não querem abraços.
Mas eu comprei-lhe a porcaria dos pensos, e chorei, chorei depois de o ter deixado ir embora.
E a porcaria dos pensos não serve para curar esta ferida.
Não era suposto alguém (a Segurança Social, digo eu, para onde vai todos os meses 11% do meu ordenado) tomar conta destas crianças?
Eu sei que é mais complicado do que isto.
Mas é muito mais complicado do que eu posso.

Quem pode ajudar-me?
A quem posso ajudar para apaziguar esta má consciência?
Sem deixar de trabalhar, porque preciso da minha vidinha minimamente organizada, a quem posso dar tempo do meu tempo? Para ser útil e não apenas fingir que sou boa...

segunda-feira, setembro 04, 2006

Encaminhar sonhos

A noite passada, prestes a deslizar para o sono, desejei sonhos felizes. Praias paradisíacas, sol acariciante na pele, mar... Acreditar é sempre o começo, e então espalhei no rosto um creme com factor de protecção solar 30.
Não me lembro nada dos sonhos que tive, mas estou bem mais bronzeada do que ontem, lá isso!... :)

domingo, setembro 03, 2006

Eu já disse,

o meu nome é São. Desorganização.
Agora a Deco fez o favor de me oferecer uma pasta de executiva, que vai servir para guardar os papéis muito importantes, e me poupar a algumas horas de angústia. Talvez a partir de agora eu encontre todos os recibos das minhas despesas de saúde a tempo de as contabilizar no IRS. Eu sei: devia ter vergonha de me confessar assim. E se calhar até tenho. Mas ter vergonha não muda nada.

Agora neste Tsunami de arrumações em que me encontro, achei a receita de pão de ló da minha amiga Lígia (segunda via). Uma receita sui generis, escrita mesmo para mim. Reza assim:

500 gr ovos
o mesmo peso de açucar
250 gr de farinha com fermento
raspa de limão.

Batem-se as gemas com o açucar até ficar um creme esbranquiçado. Junta-se a farinha e a raspa, alternada com as claras em castelo.
Leva-se ao forno até cozer.
Desenforma-se e espera-se que arrefeça para saborear. Se for comido quente pode dar a volta à barriga.

Ah! E não se deixa esta receita no parapeito da janela, porque se ela lá for parar, em vez de comeres o bolo, o sol come as letras da receita...

sábado, setembro 02, 2006

Recebi um telefonema especial

O meu sobrinho primogénito comunicou-me que amanhã viriam todos conhecer as minhas gatas e almoçar comigo!!!
Iupppiiii!!!
Vou limpar a casa, vou limpar a casa, vou limpar a casa, vou limpar a casa!!!!

Venha cá D. Esfregona, chegue aqui Sr Avental! Eu hoje reato relações amistosas com V. Exas!!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Estava uma gatinha, deitada

à sombra dum carro, ontem à tarde quando eu passei, a caminho para umas tarefas de que a minha mãe me encarregara. Parei junto a ela e conversei com ela, olhei os seus olhos brilhantes e mansos, fiz-lhe uma festinha, e segui de coração aconchegado.
Foi preciso chegar aos 40 anos para aprender a ternura dos gatos. Percebê-los, uns mais ariscos, outros "sociabilizados". E quem me ensinou este olhar foram as minhas gatinhas, a Julie e a Nuvem, que preenchem os meus dias de resmungos, mimos e... a casa cheia de pelos :p
Obrigada a elas!

Definitivamente

este blog não serve para expôr os meus males ao mundo.
Não o quero para isso.
Alguns males pequenos, ok.
Mas a mim própria prometo não escrever aqui nada que me deixe inquieta quanto a quem o lerá e que interpretações fará.
Mundo demasiado vasto, este.
A minha face lunar reserva-se. Para alguns amigos e algumas conversas olhos nos olhos.

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...