quinta-feira, fevereiro 08, 2007

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Ainda sobre o aborto (e não falo mais nisso).

Sou contra. Terrivelmente contra.
Como seguramente quase todos nós.

Mas não posso condenar quem o pratica.
E não posso deixar de ir votar.

Sim, pronto. Sim à despenalização. Não será minha a mão que atira a pedra.

(Com muito respeito por muita gente que diz "Não". E é verdade, já quis votar não. Já quis não votar. Complicado, isto... mas entristecem-me as campanhas ofensivas. Do sim e do não.)

terça-feira, fevereiro 06, 2007

A porta que se julgava esperta e a dona que sofria de cólicas a horas impróprias



A porta estava empenhada em eliminar de raiz os preconceitos contra as suas congéneres e não suportava que ao pé de si alguém ousasse proferir o célebre dito "estúpida como uma porta". Essa era a sua luta. E como era uma porta iluminada (o candeeiro estava mesmo ali perto), e além disso estudiosa, já lera Sócrates e ficara-lhe aquele conselho: Conhece-te a ti própria e Deus te conhecerá. Qualquer coisa assim. Por isso é que se olhava tanto ao espelho.





A dona da porta, que, como já se disse, sofria de cólicas, sofria também de alguma insensatez, coisa que ainda não se disse. Essa insensatez é que a fazia fotografar gatas em movimento com a máquina em modo de fotografia nocturna, onde se sabe que modelo e fotógrafo têm que estar quietos.

Mas tanto a porta como a dona sofriam de outra coisa qualquer. E era essa outra coisa qualquer que as fazia, a uma gostar de se contemplar, e a outra, gostar de fotografias estranhas.

domingo, fevereiro 04, 2007

Ó Deus,


empresta-me um bocadinho de eternidade, a ver se consigo acabar umas tarefas difíceis, dentro do meu coração...
Pensando bem... deixa estar. Recebes-me assim, obra inacabada, de braços abertos, como uma mãe recebe o filho que vem da rua, sujo e de joelhos esfolados?
Já disse que Te amo?
Em face do Teu inimaginável amor, amo-Te "poucochinho, mas de boa mente"...

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Coisas que eu tenho e devem fazer-me feliz

Eu tenho duas gatas lindas que me fazem companhia, que me fazem rir, que lavam os pés e as mãos e os dentinhos antes de irem dormir...
E tenho, também, amigos e amigas que se preocupam comigo, que telefonam para saber de mim se eu não aparecer.
Tenho quem me compreenda sempre, e me conheça do direito e do avesso.
Quem aceite e perdoe em mim o que dificilmente perdoaria a outros.
Tenho o sorriso dos meus pais, já velhotes, quando chego à casa onde fui menina, e depois jovem, e depois adulta. Porque para eles é não só importante que eu exista, é vital.
Tenho três sobrinhos lindos. E irmãos. Irmãos ao quadrado. De sangue e de alma. E tenho também um emprego, um tecto, sempre uns trocos no bolso, pra cigarros e bilhar, como canta Rui Veloso. Embora "cigarros e bilhar" não se me aplique.
E tenho talento, inteligência, capacidade de melhorar.
Porra, de que me queixo?
Do duplo queixo, só se for...

Já que o meu corpo está doente,

virulento, dou um desconto (50%) à alma, que também parece estar.
Mas sei (SEI) que o que sinto é apenas um ponto de vista enevoado.
Amanhã é outro dia!

É quando estou doente

que me sinto triste por viver sozinha.
Apetecia-me que alguém me levasse uma canja quentinha ao quarto...

(Nada de grave...)

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...