domingo, março 11, 2007
Domingo à noite
Na companhia da gatinha Nuvem, dou-me à preguiça. Vejo o telejornal na net (estou sem televisão há meses, o que se calhar faz de mim um bicho raro, e não lhe sinto a falta, o que faz de mim um bicho raríssimo...), leio os blogues de que gosto, ouço música... Crio um blogue novo só para fotografias...
Mais nada.
O dolce fare niente é quase meu homónimo.
sábado, março 10, 2007
Das coisas boas
Ouvir os putos dizerem "a tia, a tia!", quando chego. Abraçá-los. Vê-los crescer. Partilhar com o mais velho as dificuldades da tabuada... (sim, as minhas dificuldades também...)
"Ficas para tia!", ameaçavam as vizinhas em tempos idos, quando não me consideravam um caso perdido. E ser tia é a melhor coisa do mundo!
"Ficas para tia!", ameaçavam as vizinhas em tempos idos, quando não me consideravam um caso perdido. E ser tia é a melhor coisa do mundo!
sexta-feira, março 09, 2007
Obrigada!
quarta-feira, março 07, 2007
Da insegurança
...de querer que me digam, claramente dito, que faço falta, que sou importante.
De ter 14 anos e fazer amanhã 41.
Era do que falaria, se não tivesse mais que fazer.
De ter 14 anos e fazer amanhã 41.
Era do que falaria, se não tivesse mais que fazer.
segunda-feira, março 05, 2007
Olhar
É preciso prestar muita atenção às coisas, concluo eu. E é uma conclusão cheia de reticências, porque acho que a vida só me permite concluir no fim, e não me avisa quando é o fim. A vida é inconclusiva, eu diria...
Se presto atenção, vêm ter comigo a beleza das coisas e a sede dos outros, como eu sequiosos da beleza das coisas.
Se presto atenção, sinto-me viva, e sinto-me útil.
Se me distraio, adormeço. E o sono, quando ando de olhos abertos a fingir-me acordada, é terrível.
Se presto atenção, vêm ter comigo a beleza das coisas e a sede dos outros, como eu sequiosos da beleza das coisas.
Se presto atenção, sinto-me viva, e sinto-me útil.
Se me distraio, adormeço. E o sono, quando ando de olhos abertos a fingir-me acordada, é terrível.
sexta-feira, março 02, 2007
Coisas tontas que me fazem rir muito
Dois galgos a correr atrás de um táxi.
E quando chegam perto, diz um para o outro:
- Vês? Eu não te disse que era "LIVRE", não era "LEBRE"?
E quando chegam perto, diz um para o outro:
- Vês? Eu não te disse que era "LIVRE", não era "LEBRE"?
quinta-feira, março 01, 2007
Desabafo em dó maior
Não atinjo qual seja a razão, mas seguramente que os bêbedos simpatizam comigo. E todos, todos, me dizem "estou muito bêbedo".
Há muitos anos, era eu uma alegre teenager, um bêbedo que me conheceu numa viagem de comboio, ofereceu-me uma caneta Parker. Começou aí a minha carreira como confidente e apoiante de seres alcoolizados.
Eles espreitam, a cada esquina, conheçam-me ou não, e eu não sou capaz de os abandonar.
Hoje tive uma conversa absolutamente surrealista (e estúpida) com um:
- Porque é que o senhor bebe assim?
- Para esquecer.
- Esquecer o quê? Já se esqueceu, se calhar...
- Pois, esquecer o que passei. Não tenho mãe nem pai...
Não. Não tenho simpatia por bêbedos. Arrepia-me o cheiro a álcool. Pergunto-me sempre o que os leva a chegar àquilo.
Mas são seres humanos, não posso deixar de lhes estender a mão, ampará-los até porto seguro, se for caso disso.
Uma vez na Madeira vi um homem morto na berma da estrada. Tinha caído, durante a noite, e ali ficara. De manhã, já lá estava o lençol branco, a polícia... E eu passei, naquele dia como nos outros, a caminho da escola. Na verdade, dessa vez não soube o que se passou. Disse-se por lá que esse homem andava às vezes bêbedo pelos caminhos.
Eu não queria que as pessoas perdessem (ou jogassem fora) a dignidade que têm. Sei que há mil maneiras de a perder, essa tal dignidade, e muitas vezes de forma mais inocente.
Às vezes também tenho medo do meu futuro, do que posso viver, da valeta, e de que ninguém me estenda a mão.
Há muitos anos, era eu uma alegre teenager, um bêbedo que me conheceu numa viagem de comboio, ofereceu-me uma caneta Parker. Começou aí a minha carreira como confidente e apoiante de seres alcoolizados.
Eles espreitam, a cada esquina, conheçam-me ou não, e eu não sou capaz de os abandonar.
Hoje tive uma conversa absolutamente surrealista (e estúpida) com um:
- Porque é que o senhor bebe assim?
- Para esquecer.
- Esquecer o quê? Já se esqueceu, se calhar...
- Pois, esquecer o que passei. Não tenho mãe nem pai...
Não. Não tenho simpatia por bêbedos. Arrepia-me o cheiro a álcool. Pergunto-me sempre o que os leva a chegar àquilo.
Mas são seres humanos, não posso deixar de lhes estender a mão, ampará-los até porto seguro, se for caso disso.
Uma vez na Madeira vi um homem morto na berma da estrada. Tinha caído, durante a noite, e ali ficara. De manhã, já lá estava o lençol branco, a polícia... E eu passei, naquele dia como nos outros, a caminho da escola. Na verdade, dessa vez não soube o que se passou. Disse-se por lá que esse homem andava às vezes bêbedo pelos caminhos.
Eu não queria que as pessoas perdessem (ou jogassem fora) a dignidade que têm. Sei que há mil maneiras de a perder, essa tal dignidade, e muitas vezes de forma mais inocente.
Às vezes também tenho medo do meu futuro, do que posso viver, da valeta, e de que ninguém me estenda a mão.
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