terça-feira, janeiro 03, 2012

Da aprendizagem do medo.

Quando era menina não tinha medo. Quando era adolescente, não tinha medo. Nem do escuro, nem de sair de casa, nem de desconhecidos... Demorei muito tempo a aprender o medo. Já adulta, convidei um toxicodependente para jantar em minha casa, levei no meu carro um bêbedo que me pediu que o levasse a casa, abri a porta a um estrangeiro que me pediu café (coffee) à meia noite... Não sei bem porquê nunca ninguém me fez mal, nesses momentos de perfeita inconsciência... O meu anjo da guarda tem umas grandes asas e gosta muito de mim, é o que posso concluir. Sempre tive uma quase ilimitada confiança na bondade dos outros, ainda que não os conhecesse. A verdade é que sempre recebi feed-back positivo  dessa confiança, repito, nunca desconhecido algum me fez mal. Pelo contrário, muitas pessoas se cruzaram no meu caminho e me ajudaram quando eu precisava de ajuda, e não perguntaram quem eu era nem desconfiaram de mim. Lembro-me de um abraço inesquecível que um bombeiro me deu, depois de um acidente, quando eu apenas precisava de um abraço. Recordo pessoas que me devolveram o ânimo só porque me sorriram, ou passaram um braço sobre os meus ombros... não me conheciam.
Mas este mundo está perigoso. Ou sou eu que vejo mais televisão, ou ouço, mesmo sem querer ouvir, histórias menos felizes que as minhas.
Fiquei triste quando hoje descobri em mim medo do escuro, medo de pessoas que passam na noite em ruas por onde também tenho que passar.

sábado, dezembro 31, 2011

Às vezes a técnica é imaginar comboios barulhentos a passar e gritar alto para libertar tudo o que é mau e se acumula dentro do peito. Estou convencida de que, assim como há miradouros, onde mirar é natural, devia haver gritadouros. Tinham em mim uma "cliente" relativamente assídua.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Há uma invisível bolha dentro da qual estou quando estou muito triste, e por essa bolha escorrem todas as palavras que me dizem, por muito sensatas que sejam.
Um abraço de alguém de quem eu goste é a única coisa que me acalma.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Nada a fazer. O pré-Natal desequilibra-me sempre um bocado, e às vezes muito mais do que um bocado. Detesto as luzes e as canções natalícias com o mesmo fervor com que noutros tempos me encantavam. Do Natal do dia 24, gosto muito. A casa, os meus irmãos, os sobrinhos, a excitação deles com as prendas... e até, e talvez sobretudo, o espírito da minha família que - muito graças aos meus pais - nunca foi de trocar grandes presentes. Presentes para as crianças. E os garotos mais velhos já  começam a dizer que "Não é preciso nada". Para nós é suficientemente bom patilharmos a mesa, as conversas cruzadas, os risos.
Nem sempre foi pacífica a minha relação com o Natal. Durante muitos anos, detestei-o. Por razões que o coração e a razão bem conhecem, mas de que não me apetece falar. Foi precisamente a chegada dos sobrinhos à família que me reconciliou com o Natal. Eles, os meus garotos, reconciliam-me com a vida toda, é essa a verdade.

Este texto está confuso cumórraio, mas... quéquissinteressa?

sábado, dezembro 17, 2011

Saudades dos tempos dos blogues, do tempo em que não havia facebook e conversávamos essencialmente por aqui. O facebook é mais imediato mas não tem o encanto que os blogues tinham nos seus tempos áureos. Então decidi: as coisas que escrevo no facebook, vou escrevê-las também aqui. Porque aqui são mais minhas e mais recuperáveis.

sábado, dezembro 10, 2011

Boas rotinas.

A médica disse: fazer caminhadas. Muitas. E eu recomecei. Outra vez. E sei que, sem muita boa vontade, um dia destes esqueço-me de continuar. É, tenho muita iniciativa mas pouca acabativa, disseram-me uma vez. A ver se compro um impermeável e se não deixo que a chuva o vento que provavelmente virão, me dêem cabo dos planos.

domingo, dezembro 04, 2011

Chuva. Frio. Gata  sentada em cima da box da Cabovisão, a lamber-se, alambêrce, alambique. Eu. Deitada em cima da cama, portátil à frente, apoiada nas minhas patinhas posteriores, a escrevinhar. Um típico dia de inverno. Domingo. O que destoa é ir trabalhar. Mas, como diz o meu irmão mais novo, alguém tem que levar este país para a frente. Ou, nas palavras de um político qualquer há uns vinte anos atrás, "Portugal está à beira do abismo. É preciso dar um passo em frente." Já demos, já demos!

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...