quinta-feira, outubro 25, 2012

:(

Hoje uma amiga encheu-me de tristeza.
Anda tomar um café, disse-lhe eu. E fomos. Que olhar tão triste, V.! E contou-me que ia provavelmente ter que declarar falência do seu negócio, que o marido, que até ganhava bem, deixara de receber. "Medo de perder o que é meu", disse-me ela. E que, no meio das contas que se avolumam, até conseguir tirar dinheiro para sustentar a família de 5 elementos ia ficando complicado. E eu fiquei a olhar para ela. Queria tanto poder ter-lhe dito: "Não te preocupes, eu ajudo-te." A verdade é que não tenho nada (ou muito pouco) para dar.
Disse-lhe apenas: "É uma fase. Vais ultrapassar isso." (E vai, porque o marido vai começar a trabalhar para outra firma, e tendo ele ordenado, as coisas melhorarão significativamente.)
Este é apenas um caso. Um dos milhares. Dói-me mais este, porque ela é minha amiga. E quando penso nas frotas de carros do governo, e do PS, e do raio que os parta, nas reformas milionárias que se acumulam com ordenados, e nas muitas outras desonestidades de que nada percebo, sei que vivo num país governado por assassinos, e não sei que ganas me dão.

quarta-feira, outubro 24, 2012

Pegar num enorme e resistente saco do lixo e ir enchendo: coisas, mais coisas e mais coisas que fui acumulando e que não me servem para nada. Muita treta, muito lixo. O que significa que a minha passagem pelo mundo é bastante poluente.
 Em contrapartida, o mundo também me polui bastante. Cheguei com uma alma clarinha e pura, podia passar-se o algodão, o tal que não engana, não havia em mim ponta de maldade. Todos nascemos assim. Pois, eu estou cheia de pó, desse pó de que nenhum banho me liberta. E lá no fundo, lutando e sobrevivendo, a pureza dos primeiros dias.
 E a casa, a casa edifício, a acusar a face caótica de quem a habita. Casa queixinhas!

terça-feira, outubro 23, 2012

Sem palavras... ou com poucas.

Ando muito triste com este país. Mesmo muito triste e preocupada. A cada dia mais uma notícia angustiante.
Nunca estive tão preocupada. E zangada também.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Mateus

É o mais novo dos meus quatro sobrinhos. Faz hoje uma mão cheia de anos. Traquina, infinitamente meigo, tagarela, tímido até ao limite quando está fora do seu ambiente...
O meu puto mais pequeno, o mais pequeno dos quatro sobrinhos do meu coração.
Parabéns, garoto lindo!

O meu psiquiatra preferido


Chama-se  Francisco Allen Gomes e é a razão porque vou a Coimbra algumas vezes. Demorei anos a encontrá-lo, um psiquiatra que atinasse com a medicação que me é necessária, que não me trouxesse dopada e adormecida, que me explicasse o porquê das suas opções em relação ao meu tratamento. E acima de tudo um homem muito profissional, com quem sinto uma enorme empatia, que me faz falar quando me parece que nada tenho a dizer (o meu "espremedor de citrinos", diz um amigo meu). Que me cansa muito às vezes, que me ajuda sempre a pôr as coisas em perspectiva, e a quem sobra sempre uma palavra de carinho. E tem aquele sorriso de criança, e imensas histórias de vida que adoro ouvir-lhe.

* fonte da foto.

quarta-feira, outubro 17, 2012

As coisas que as pessoas bondosas nos ensinam

Era uma senhora muito bondosa. Era proprietária de uma tabacaria, e recolhia tampinhas de garrafas de plástico para ajudar os meninos deficientes a terem cadeiras de roda. E agradecia muito quando lhe levavam as tais tampinhas. Um dia fechou (acho que declarou falência, sei lá...) a sua tabacaria. Telefonou às funcionárias na manhã do próprio dia em que a fechou. Que não fossem. E quanto aos papéis para o fundo de desemprego, que contratassem um advogado. Eu abri a boca de espanto e acho que ainda não consegui fechá-la por completo. Já passaram meses.

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...