quinta-feira, janeiro 03, 2013

Ano novo, fim de blogue velho.

Pois foi, este blogue atirou-se da janela às doze badaladas da meia noite de 2012. Escaqueirou-se todo.  Quanto a mim foi um prazer conviver com  vocês. Um dia destes, um mês destes, ou talvez nunca, recomeço noutro lugar. Foi bom, mas acabou-se.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Por muitas e (a)variadas circunstâncias, desta vez externas, a minha cabeça tem andado conturbada e o meu coração triste. Hoje, pela primeira vez em longos dias, tive vontade de cantar (e cantei). Celebro esta pequenina alegria que volta e uma reconciliação que consegui ontem com alguém que me é especial. Acredito que uma coisa não seja alheia a outra.

terça-feira, novembro 27, 2012

Muitos dias sem escrever. Muitos dias aborrecida. Alguns dias triste. Alguns dias sem saber se eu ainda sou eu, se não me transformei num cogumelo. Esponjoso. Desconhecido.

sábado, novembro 03, 2012

Destes dias.

A apatia é uma enorme ave cinzenta que vem por bem. Pousa no meu ombro para me abrigar, como uma sombra me abriga do calor excessivo. Como se fosse uma cortina que me impedisse de ver uma paisagem muito triste. O único problema da ave Apatia é que é enorme. Abre as asas para me proteger e tira-me a luz e a respiração.

quinta-feira, novembro 01, 2012

Ressalva

As histórias que às vezes conto de que como a pobreza e a tristeza dos outros me comove, e do que faço por eles, não as conto para me vangloriar da minha generosidade e bom coração. Acho que sim, sou generosa e tenho um bom íntimo (porquê não me reconhecer algumas qualidades?), mas o que eu faço é apenas o que o instinto me dita naqueles momentos. Não faço nada de extraordinário, apenas reajo a coisas que me perturbam. Reajo como posso. Se partilho estas histórias é apenas porque elas mexem comigo. Agora o que verdadeiramente me anima, por exemplo em relação àquela velhinha lá em Lisboa, de que falei num dos posts anteriores, é saber que se geram ondas de boa vontade, que há muita gente que se compadece e que gosta de partilhar o que tem. Todos juntos poderíamos mudar o mundo!

terça-feira, outubro 30, 2012

Parfois

Às vezes vem uma onda de sensibilidade que me afoga. Não é tristeza, mas traz tristeza. Olhar para este mundo e querer que ele fosse tão melhor. Olhar para mim e querer-me melhor.
E também ter a noção de que me exponho ao perigo ( a perigos) simplesmente por agir sob impulso e querer mudar o mundo. Tenho 46 anos e ainda sonho mudar o mundo.
E depois uma sensação de quase loucura, de não pertencer aqui, de que me depositaram num planeta estranho.
Doloroso.

domingo, outubro 28, 2012

Mas ainda há esperança

Ela parecia um cão vadio em versão humana. Velhinha. Pequenina. Com uns chinelos horrorosos e os pés gelados (toda ela gelada), os pés calejados como nunca vi. Estava em frente à estação do Oriente (Lisboa), virada para o lado do Centro Comercial Vasco da Gama. Tinha um qualquer problema de dicção. Pedia um moeda. Olhos infinitamente tristes. "Venha comigo tomar o pequeno almoço ao café"- disse-lhe eu. "Fica mais reconfortada e escusa de estar aqui ao frio." E ela veio, pequenina, quase debaixo do meu braço. As meninas do café ofereceram-lhe uma fatia de bolo, e acabámos por lhe embrulhar o queque que eu lhe tinha pago para acompanhar a meia de leite quentinha. Chorava de mansinho. Enxuguei-lhe as lágrimas. Fomos ao Continente ver as promoções, comprar-lhe umas botas quentinhas, umas peúgas e um casaco impermeável. Escolhido a dedo, do mais barato, mas que a aquecesse. Ainda lhe dei um cachecol de malha que tinha na minha mala de viagem. Sabe-se lá porque é que o pus lá, porque tinha roupa mais que suficiente para me agasalhar. Na fila do supermercado, para pagar, veio uma senhora dizer que fazia questão de me dar cinco euros para ajudar na despesa. Aceitei, claro, e agradeci.

Já disse onde ela estava. Se a virem por lá, nos próximos dias, tratem-na bem, dêem-lhe qualquer coisa que não vos faça falta. Ou que faça um bocadinho. É bom partilhar as faltas. E eu já sei onde vou poupar os pouco mais de vinte euros que gastei com ela.
Porque ninguém devia chegar a velho assim. Como um cão abandonado, com o olhar dos cães abandonados. De livre vontade houve pessoas comuns que me ajudaram a ajudá-la e é isso que me dá esperança. E agora já sei porque os carros dos senhores políticos importantes têm que ter vidros fumados e andar depressa. Eles são sensíveis e não podem ver a miséria.

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...