Como a minha cidadezinha é bonita, à chuva ou ao sol! E como gosto de encontrar na rua gatinhos preguiçosos que me deixam fazer-lhes festas! Como a cidade me surpreende e o vento me anima e o sol me aquece nos dias de folga em que resisto à tentação de ficar quietinha no meu cantinho desarrumado. Tenho mesmo que sair mais!
quinta-feira, março 28, 2013
quarta-feira, março 27, 2013
# 1 - projecto 365
Também eu decidi alinhar neste projecto de publicar em cada dia uma fotografia, a ver se reanimo um pouco este adormecido, desmaiado, em coma, quase morto blogue.
Deitei-me hoje, já a claridade me inundava a casa. Quase sete de manhã. Que estive a fazer até tão tarde? Pois... nada de jeito. A jogar no computador e a pensar "já chega, tenho que dormir"... Hoje estou de folga, é certo. Mas não é lá muito saudável trocar as voltas aos dias e contrariar o Big Ben. Se não me contrariasse podia ficar o dia inteiro na cama. Na boa, como se diz aí jovenmente. Mas imperou a sensatez, levantei-me, arrumei por aqui uns milésimos de coisa e fui à rua buscar frutos, brócolos e queijos. Então a foto hoje são duas (este texto está um mimo): o meu guarda-chuva flor e a Igreja de Ílhavo, porque sim. Ambas as fotos tiradas quando, sob o domínio da sensatez, fui à rua. Pois claro, a Igreja não cabe dentro da minha casa, e nem aqui preciso do guarda-chuva, o que não seria impeditivo para que o abrisse.
Deitei-me hoje, já a claridade me inundava a casa. Quase sete de manhã. Que estive a fazer até tão tarde? Pois... nada de jeito. A jogar no computador e a pensar "já chega, tenho que dormir"... Hoje estou de folga, é certo. Mas não é lá muito saudável trocar as voltas aos dias e contrariar o Big Ben. Se não me contrariasse podia ficar o dia inteiro na cama. Na boa, como se diz aí jovenmente. Mas imperou a sensatez, levantei-me, arrumei por aqui uns milésimos de coisa e fui à rua buscar frutos, brócolos e queijos. Então a foto hoje são duas (este texto está um mimo): o meu guarda-chuva flor e a Igreja de Ílhavo, porque sim. Ambas as fotos tiradas quando, sob o domínio da sensatez, fui à rua. Pois claro, a Igreja não cabe dentro da minha casa, e nem aqui preciso do guarda-chuva, o que não seria impeditivo para que o abrisse.
domingo, março 24, 2013
Feliz
Hoje ao fim do dia conheci estas maravilhosas pessoas que já conhecia, e depois chego a casa a tempo de ouvir a máquina de fazer pão anunciar-me um pão de sementes com mel e manteiga (invenções), que ainda não provei mas cheira a delicioso!
domingo, março 17, 2013
Quase fim, quase início.
As férias estão a terminar, e, consequentemente, o trabalho a começar. Desta vez não me custa voltar ao trabalho. As férias foram razoavelmente boas, de descanso e brincadeira, não fora aquele acontecimento trágico relatado no post abaixo. Não fui ao funeral, não tive coragem, escudei-me nos 100 km de distância para não ouvir o eco do abismo dentro de mim. Estarei presente para vocês, Sofia, Lili, Luísa, tanto quanto me for possível, embora por experiência saiba que a vida recomeça devagar e baixinho, muito muito devagar. Não falarei dele, a não ser que vocês queiram. A vida continua aqui. E talvez muitas vezes vocês queiram ficar sozinhas. Tentarei estar, nas minhas visitas à aldeia, para quando preferirem a companhia dos amigos. O negro das vossas noites dissipar-se-á muito lentamente. E felizmente há as crianças.
quinta-feira, março 14, 2013
O Mário suicidou-se hoje. Há dezoito anos, quando o meu irmão morreu, foi o Mário que nos acolheu e nos sentou à sua mesa para que almoçássemos sossegados. Foi um gesto de amor e acolhimento que nunca esqueceremos. Há dezoito anos, penso que não lhe fora ainda diagnosticada a doença bipolar, grave e funda. Muitos períodos de profunda depressão, outros tantos de uma euforia pouco saudável. E assim se vai um homem afastando de si mesmo. Isto não foi um suicídio, Mário. Foi a doença que te foi matando, e que finalmente matou.
Descansa em paz. Nós ficamos, por enquanto. Tristes. Gostávamos de ti, sabias?
Descansa em paz. Nós ficamos, por enquanto. Tristes. Gostávamos de ti, sabias?
terça-feira, março 12, 2013
Os nossos pobres
Na sala de estar do lar do idosos, estava sentada a ler uma senhora que teria seguramente os seus oitenta e cinco anos, se não mais. Lia um livro de título "África, um grande amor". Perguntei-lhe se tinha vivido em África, disse-me que não, que o livro lhe tinha sido oferecido por uma amiga. Uma senhora cheia de vida e aparentemente saudável.
De conversa em conversa, chegámos às instituições de apoio aos mais carenciados. Porque a senhora conhecia de outros tempos instituições que eu conheço agora, ligadas à Igreja Católica, mas agora "geridas" por assistentes sociais. (Não sei se "geridas" é o termo certo.)
A senhora disse-me que as "irmãs" e ela própria não gostavam muito de assistentes sociais. Era tudo muito rigoroso, muito organizado, "se faltava uma moeda na caixa já era um bico de obra"... Elas gostavam de ajudar conforme podiam. "Tínhamos os nossos pobres, que visitávamos e apoiávamos."
Esta expressão, "os nossos pobres" é que me pôs a pensar. "Os nossos pobres" como "os nossos bibelôs" ou assim... Como se as famílias carenciadas fossem uma espécie de brinquedos das freiras, que podiam a seu bel prazer cuidar, talvez fazer penteados, vestir, lavar, dar vacinas nas pernas, como eu fazia em menina às minhas bonecas - tive duas, em toda a minha infância, que mas trouxeram uns familiares. Os meus pais não eram muito de dar brinquedos, suponho também que não podiam. - Espetava as bonecas nas nádegas, nas ancas e nos braços, com bicos de caneta. Ainda hoje lá estão, todas furadas. Um delas está também maquilhada com uma sombra azul escura de caneta de feltro. Há quarenta anos e não há desmaquilhante que lhe valha.
"Os nossos pobres" lembrou-me isso, pessoas brinquedos, pessoas coisas, que alimentavam a sede de brincar aos bons das "irmãzinhas".
Eu ainda disse à senhora que à partida queremos que os nossos impostos sirvam para dar dignidade humana a quem nada tem, ou pouco. E que era isso que faziam os assistentes sociais, ajudar a erguer-se quem, por falta de condições financeiras ou outras, não conseguia erguer-se por si. Mas a velhota que não, que os impostos são só para engordar os bolsos dos políticos (terá alguma razão, infelizmente). Mas via-se que aquela senhora, sentada na sua poltrona, tinha saudades dos seus pobrezinhos.
De conversa em conversa, chegámos às instituições de apoio aos mais carenciados. Porque a senhora conhecia de outros tempos instituições que eu conheço agora, ligadas à Igreja Católica, mas agora "geridas" por assistentes sociais. (Não sei se "geridas" é o termo certo.)
A senhora disse-me que as "irmãs" e ela própria não gostavam muito de assistentes sociais. Era tudo muito rigoroso, muito organizado, "se faltava uma moeda na caixa já era um bico de obra"... Elas gostavam de ajudar conforme podiam. "Tínhamos os nossos pobres, que visitávamos e apoiávamos."
Esta expressão, "os nossos pobres" é que me pôs a pensar. "Os nossos pobres" como "os nossos bibelôs" ou assim... Como se as famílias carenciadas fossem uma espécie de brinquedos das freiras, que podiam a seu bel prazer cuidar, talvez fazer penteados, vestir, lavar, dar vacinas nas pernas, como eu fazia em menina às minhas bonecas - tive duas, em toda a minha infância, que mas trouxeram uns familiares. Os meus pais não eram muito de dar brinquedos, suponho também que não podiam. - Espetava as bonecas nas nádegas, nas ancas e nos braços, com bicos de caneta. Ainda hoje lá estão, todas furadas. Um delas está também maquilhada com uma sombra azul escura de caneta de feltro. Há quarenta anos e não há desmaquilhante que lhe valha.
"Os nossos pobres" lembrou-me isso, pessoas brinquedos, pessoas coisas, que alimentavam a sede de brincar aos bons das "irmãzinhas".
Eu ainda disse à senhora que à partida queremos que os nossos impostos sirvam para dar dignidade humana a quem nada tem, ou pouco. E que era isso que faziam os assistentes sociais, ajudar a erguer-se quem, por falta de condições financeiras ou outras, não conseguia erguer-se por si. Mas a velhota que não, que os impostos são só para engordar os bolsos dos políticos (terá alguma razão, infelizmente). Mas via-se que aquela senhora, sentada na sua poltrona, tinha saudades dos seus pobrezinhos.
segunda-feira, março 11, 2013
Recobro
Eu já devia saber. É aqui que volto sempre, é este o blogue que é a minha casa de areia e vento, abraços, lágrimas, ternura...
O meu blogue-fénix renasceu dos seus próprios destroços, encontra-se ainda combalido, mas dorme um soninho reparador aqui mesmo ao meu lado. Velo por ele, como tantas vezes ele vela por mim.
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