segunda-feira, dezembro 16, 2013

Dizem que sou muito crédula, que acredito em toda a gente e parto sempre do princípio que os outros são boas pessoas. É verdade que já me enganei milhentas vezes, que já chorei muitas lágrimas à conta disso, mas também é em parte por causa disso que tenho tantos e tão bons amigos. E até aqui, Deus sempre me tem protegido de males maiores. De qualquer forma também não é rigorosamente verdade que confie em toda a gente. Há pessoas que à partida me inspiram desconfiança e antipatia. Assim só para dar um exemplo, não posso com gente snob. Lá pelo meu trabalho passam "algumas" pessoas a quem me apetecia mandar... para outra loja.

quarta-feira, novembro 13, 2013

Diga?!!...

Ora eu tenho o privilégio de viver num apartamento que fica do outro lado da rua do centro comercial onde trabalho. E então, mesmo com a meia hora para a refeição que o meu horário laboral contempla, posso vir a casa comer. Maravilha! Mas não me sobra  tempo, como imaginarão.
Posto isto, anteontem aconteceu-me um encontro surrealista. Vinha eu a entrar no prédio, destino refeição, e cumprimenta-me um jovem de bigode retorcido à Eça de Queiroz:
- Boa noite.
- Boa noite.
- Vive aqui?
- Sim, vivo - disse eu, olhando para a fita azul ao pescoço do rapaz e um cartão identificativo que não li. - Vivo, mas venho só jantar, tenho meia hora, não tenho tempo para conversar.
- Mas olhe que eu sou da Unicef! Não é nada de vendas...
- Ok, por acaso não tinha reparado, mas mantém-se o que disse: venho jantar, daqui a menos de meia hora tenho que estar a trabalhar, não tenho tempo.
- Pois, olhe que não é sempre que a Unicef vem cá. Eu vou embora já daqui a pouco.
- Sim, sim...
- Calculei que quisesse falar comigo, a Unicef não vem cá sempre.
- Calculou mal. Boa noite.
Falta registar, porque não o consigo por escrito, o ar arrogante e de importância da criatura.
Sim senhor, muito assertivo.
E foi assim que eu perdi a oportunidade única de falar com a Unicef.

sexta-feira, novembro 08, 2013

Dos dias que têm passado

Têm sido intensos e confusos. Alguns dias na minha aldeia, a fazer companhia à minha mãe, recém-operada.

Próxima de Deus como já não me lembro. A caminho de casa, no outro dia, a sensação quase certeza de que tudo isto, o nosso mundo, está por um fio, mas que o Papá nos sustém nas suas mãos criadoras e amorosas, e que é possível estar BEM. A minha mãe deixei-a hoje no hospital, internada, como nova infecção. Contente por ir dormir enquanto lhe injectavam antibiótico, ela que não dormira nada na véspera. Nem eu.
O meu carro a pedir urgentemente conserto. E eu, que escorrego sem querer das mãos de Deus, eu a pedir concerto.
Ontem fiz bolo de bolacha com o meu amado sobrinho Vasco.
Ontem jantei "arroz de coisas" com os meus traquinas e lindos e queridos sobrinhos Tomás e Mateus, que antes se ocuparam a fazer de mim trampolim do sofá para o chão.
Hoje já me senti injustiçada e desamada, desconsiderada por alguém que era suposto amar-me, até por laços consanguíneos. E talvez esse alguém até me ame. Hoje já sorri, hoje já cantei, hoje já chorei. Hoje já tive a prova de solidariedade de uma amiga. Se provas fossem precisas.
Hoje já me angustiei com a angústia de um namorado, que a vida e este país de merdas e falências provavelmente vai levar para longe de mim, precisamente quando eu queria tanto estar perto e conhecê-lo. Deitada na banheira, num banho de imersão, pensei que eu não conheço os caminhos de Deus, que sigo às escuras, mas que ele me leva pela mão.
E agora, deitada na minha cama, de lágrimas no rosto, espero o sono que há-de embalar-me e dou à gata Nuvem o mimo raro de dormir na minha cama. Coitada, nestes dias ela sentiu a minha falta.  Às vezes eu desejava que os humanos falassem a linguagem transparente dos bichos.

domingo, novembro 03, 2013

Arrumações

Decidi tentar fazer desta minha casa uma casa normal, que basicamente quer dizer organizada. Minimamente. A percorrer pilhas de papéis, postais, cartas e fotos, um a um, para decidir o que fica comigo e o que vai para o lixo, surpreendo-me: palavras simpáticas de antigos alunos emocionam-me, e eu nunca gostei nada de dar aulas.



(post perdido nos rascunhos)

sábado, novembro 02, 2013

De vez em quando apetece-me escrever aqui e deixar o facebook. Mas há sempre a atracção do imediato e da companhia. Pelos blogs tenho a sensação de que já não anda ninguém... :( E não, eu não gosto de escrever só para mim.

domingo, maio 12, 2013

Em fim de noite, conversa com o meu criador.

Querido Deus,
Tu sabes o que eu preciso, o que me faz falta, o que é bom para mim. Eu só sei do vazio e das tentativas para o encher. Nem sempre, porque nem sempre há vazio. Tu conheces o meu passado, a minha alegria infantil, a traquinice, as tantas vezes que me magoaram e chorei e fiquei à espera que me pedissem perdão. Aprendi a esperar sentada. Eu era então uma menina, e não sabia que as crianças não contavam. Não sabia, mas aprendi. E depois o mundo fora de portas ensinou-me outras coisas. Muito boas algumas. Muito más outras. Terá sido assim com toda a gente, suponho. Mas a sombra da infância atravessa a alegria. Fiquei um bocadinho chanfrada, um bocadinho insegura, um bocadinho ingénua, um bom pedaço subterraneamente forte. Ando a procurar preencher vazios e não acho que vá sempre pelo melhor caminho. Às vezes começam como veredas agradáveis e serenas e desembocam em pedregulhos onde esfolo os meus joelhos. Volto para trás, não há dramas. Tu conheces o mapa do meu futuro, e às vezes apetecia-me pedir-Te que mo mostrasses. Mas a caminhada tem mais interesse assim, sem dúvida. Só queria que ficasses sorrindo da minha ilusão de auto-suficiência, e que andasses sempre por perto. Porque vou muitas vezes ainda precisar de chorar no Teu peito e partilhar contigo as minhas Tuas vitórias. Ando a engordar a olhos vistos, a ver se ocupo mais espaço e se reparas melhor em mim e não me esqueces. (Just kidding) Orienta-me segundo os Teus planos.
Beijos, meu querido Papá.

sábado, maio 11, 2013

Olhar


E para encher o vazio interior que de vez em quando insiste em ficar, nada como  fixar os olhos em pequenos nadas. Ontem, ainda que sem verdadeiramente me apetecer, aceitei o convite de duas colegas para ir almoçar à pizzaria.  As pizzas são óptimas, as colegas também, mas foi cá fora, nuns minutinhos para mim ("Para mim pede uma imperial, Cátia, por favor.") que me reencontrei. Com a máquina fotográfica, o cheiro da terra, a cor. E os cavalos.

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...