terça-feira, janeiro 31, 2012

Tendo ou não tendo razão, às vezes passo-me dos carretos com os outros. Disse-me uma amiga: "Conta até dez. E se não chegar, conta até vinte." Ontem tive que usar a técnica para não baratinar com alguém que estava ao telefone. Resultou, mas o tempo de silêncio enquanto eu contava mentalmente, deve ter parecido  estranho. Se alguma vez me perguntarem o porquê do silêncio, que devo dizer? "Estou a contar até vinte para não o (a) mandar à merda"?

Não, pois não?

sexta-feira, janeiro 27, 2012

Auto-telegrama

Quando tudo parecer mau não é assim tanto Stop Autenticidade e simplicidade são inquestionáveis qualidades Stop Ama-te, o leite Matinal não pode andar sempre a lembrar-to Stop Sorri, é uma curva ascendente que se faz com os lábios Stop É preciso ensinar-te sempre tudo Stop Este telegrama já está a sair-me muito caro Stop

terça-feira, janeiro 24, 2012

Para memória futura, minha e caseirinha.

Hoje fiz um arroz maluco, inspirado no deixa-lá-ver-o-que-há-por-aqui, e ficou delicioso. Ingredientes: arroz, manteiga, ervilhas, caril, açafrão, orégãos, essência de baunilha, vinagre, limão, sal... e água, claro. huum!!

domingo, janeiro 22, 2012

...

Desde que me conheço adulta vivi sozinha. Tive e tenho muitos e bons amigos, mas nunca encontrei um companheiro com quem pudesse partilhar os dias e as horas, que envelhecesse comigo, que visse o meu corpo criar rugas e flacidez e fosse capaz de me achar bela ainda assim. E reciprocamente. Nunca isto me incomodou e soube sempre que esta era a forma de vida que mais convinha ao meu feitio difícil, às minhas inesperadas neuras, à minha originalidade e independência. E porque quero que as minhas asas não se deixem limitar por externas condições que não sejam as absolutamente necessárias. Mas agora que começo a envelhecer - diz-se que os quarenta anos são a velhice da juventude - confesso que me sinto muitas vezes muito só, que muitas vezes me apetecia um abraço que fosse inteiramente meu...
E lembro-me de uma coisa que uma vez um amigo da escola me escreveu, naqueles livrinhos de autógrafos que usávamos - quando ainda sabíamos que éramos todos suficentemente importantes para querermos autógrafos uns dos outros, e isso faz de facto muito mais sentido que ter autógrafos de gente absolutamente desconhecida apenas porque, por mérito nenhum, apareceram na televisão. Escrevia esse amigo, com quem tenho o imenso prazer de conviver ainda: "Podes ser livre e podes ser amado, mas nunca penses ter as duas coisas ao mesmo tempo". Pois eu, garganeira me confesso, queria as duas.
Acho verdadeiramente que nestas coisas não fazemos escolhas, a vida fá-las por nós. Em parte, pelo menos.

Hoje estou em casa.

Estupidamente acordei já eram quase duas da tarde. Mais estupidamente ainda, sonhei com a loja. Só chatices, só gente que me atazanava o juízo, e depois eu que não conseguia fazer um simples telefonema: ou porque não sabia da agenda, ou porque me enganava nos números, ou porque digitava o número de telefone no teclado do computador em vez de o digitar no telefone - não é nada que nunca me tenha acontecido estando acordada.
Acordei  e liguei para casa dos meus pais para felicitar o meu pai pelos seus 80 anos, mas ninguém me atendeu. Fui à rua respirar o pão e comprar o sol (enganei-me nesta frase, mas afinal - concluo - é muito mais bonita assim.) E agora estou de novo em casa a deliciar-me com a música de Mafalda Veiga. Gosto tanto! E entretanto penso que tenho que passar a ferro, varrer o chão, levar para o ecoponto as coisas que andam por aqui espalhadas em sacos... E doi-me um pouco a cabeça. Daqui a pouco é noite e não aproveitei nada da minha folga.
Pronto, é isto.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Obrigada por não cederes sempre à minha vontade.

Porque às vezes - muitas vezes - as coisas que desejo muito só me fariam mal, a médio ou longo prazo. A mim e / ou a outros.
Deus meu, ajuda-me a compreender que o Teu amor por mim é infinitamente maior que o meu amor por quem quer que seja, incluindo, claro, eu própria.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

"Escreve um poema" - disse ela.

- Assim de repente? Vamos a ver se consigo...

Em dois ou três minutos escrevi. E gostei do resultado final.


O amor chegou de mansinho
tocou-lhe no ombro
e sorriu.

Ela franziu o sobrolho.
Era o amor,
mas não deixava de ser um desconhecido.

- Não se atreva a tocar-me,
disse ela.

E o amor afastou-se.
Triste.

(Seria muito estranho dizer que esta é mais ou menos a história da minha vida? Eu digo coisas muito estranhas.)

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...