quarta-feira, janeiro 22, 2014

Eles.

É meu irmão. Vive do outro lado da dor, no reino da luz, onde o tempo não conta. Faria hoje 44 anos. Tem 24, a idade com que ficou na nossa memória. Ó meu irmão feito saudade aqui, aproveita agora a tua plena liberdade e lembra-te de nós.
É meu pai. Faz hoje 82 anos. Vive num estado entre luz e trevas que não conseguimos penetrar. Acamado, tanto nos olha e parece reconhecer, como nos desconhece ou ignora. Manifesta contudo as suas preferências por uma ou outra funcionária do lar onde está, com grandes sorrisos infantis e sem dentes. É a criança velha que eu nunca conheci. É um pai novo, longe da austeridade que sempre teve. Não sei se "parabéns" se aplica, pai. Não sei se nessa forma de ser quase vegetal faz algum sentido dizer-te parabéns. Costumavas somar a tua idade à idade do A. e dizer "hoje fazemos x anos!". Pois bem, como já não sabes fazer contas, eu digo-te: hoje tu e o teu filho fazem 126 anos.

sexta-feira, janeiro 17, 2014

Nem te deste conta da sorte que tiveste!

Isto me disse um amigo hoje, quando desabafava com ele sobre o quanto várias pessoas e coisas me têm desiludido.

E é verdade.

Deus protegeu-me de pessoas e situações que poderiam ser muito más para mim, e eu ainda me queixo?

Aquilo que eu pensei: esta pessoa enganou-me, não gostava de mim, desapareceu.
Vejo agora as coisas de outra forma, com o auxílio do meu amigo. Deus rodeou-me de protecção e disse-lhes: Afastem-se da minha menina!

Obrigada, Pai. E perdoa-me por ser tão tonta.

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Sobrevem um desânimo

...quando constato que, mais do que adulta, ainda acreditava em contos de fadas. Eu ia sendo a gata borralheira que se preparava para ser Cinderela numa festa sem fim, e depois havia de ficar perdida no bosque negro quando descobrisse que não era à festa que queriam conduzir-me. Eu preocupei-me muito com a saúde de alguém que não estava doente, eu amei alguém inventado, eu fui tão tão tão ingénua! As teias da net prestam-se a isso, quando um vigarista encontra uma alma de criança e alguma falta de auto-estima à mistura. Felizmente existem os amigos. E os amigos dos amigos que nos alertam. Os amigos que nos trazem pela mão de volta ao caminho plano onde há luz sem ser de fingir.
Mas sim, fiquei desanimada. Não tive como não ficar.  Só um bocadinho.

terça-feira, janeiro 07, 2014

Dos trambolhões

Têm sido mais do que muitos. Ainda estou de pé, ou então estou ainda mais de pé por causa deles. Aprender que a crueldade e a mentira existem e tomam as formas que menos se imaginam era ensinamento que há muito a vida podia ter-me dado. Ela tentou, mas nunca o aceitei. Agora, aos quarenta e sete anos, cheia de arranhões e crostas a sarar no corpo e nos sentimentos, agora acho que já sei. Obrigada, vida! E porque apesar de tudo me deixas continuar menina.

domingo, dezembro 29, 2013

Atravesso um período muito duro. Mas também estes nos fazem crescer, certo? E pelo poder da erosão ficarei mais polidinha, mais bonita... (fraco consolo)

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Dizem que sou muito crédula, que acredito em toda a gente e parto sempre do princípio que os outros são boas pessoas. É verdade que já me enganei milhentas vezes, que já chorei muitas lágrimas à conta disso, mas também é em parte por causa disso que tenho tantos e tão bons amigos. E até aqui, Deus sempre me tem protegido de males maiores. De qualquer forma também não é rigorosamente verdade que confie em toda a gente. Há pessoas que à partida me inspiram desconfiança e antipatia. Assim só para dar um exemplo, não posso com gente snob. Lá pelo meu trabalho passam "algumas" pessoas a quem me apetecia mandar... para outra loja.

quarta-feira, novembro 13, 2013

Diga?!!...

Ora eu tenho o privilégio de viver num apartamento que fica do outro lado da rua do centro comercial onde trabalho. E então, mesmo com a meia hora para a refeição que o meu horário laboral contempla, posso vir a casa comer. Maravilha! Mas não me sobra  tempo, como imaginarão.
Posto isto, anteontem aconteceu-me um encontro surrealista. Vinha eu a entrar no prédio, destino refeição, e cumprimenta-me um jovem de bigode retorcido à Eça de Queiroz:
- Boa noite.
- Boa noite.
- Vive aqui?
- Sim, vivo - disse eu, olhando para a fita azul ao pescoço do rapaz e um cartão identificativo que não li. - Vivo, mas venho só jantar, tenho meia hora, não tenho tempo para conversar.
- Mas olhe que eu sou da Unicef! Não é nada de vendas...
- Ok, por acaso não tinha reparado, mas mantém-se o que disse: venho jantar, daqui a menos de meia hora tenho que estar a trabalhar, não tenho tempo.
- Pois, olhe que não é sempre que a Unicef vem cá. Eu vou embora já daqui a pouco.
- Sim, sim...
- Calculei que quisesse falar comigo, a Unicef não vem cá sempre.
- Calculou mal. Boa noite.
Falta registar, porque não o consigo por escrito, o ar arrogante e de importância da criatura.
Sim senhor, muito assertivo.
E foi assim que eu perdi a oportunidade única de falar com a Unicef.

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...