sexta-feira, novembro 06, 2020

Começar de novo, uma e outra vez.

 Estes tempos são mais do que duros, são duríssimos.

Instalou-se-me na alma uma tristeza que não dá mostras de querer passar. Mas passa, que eu sei que passa sempre.

Entretanto decidi cuidar do corpo, já que a alma me anda arredia.

Dormir cedo, acordar cedo, comer menos.

Ser frugal. Ser sóbria.

Está época há-de passar. Oxalá consigamos todos sair com alguma sanidade mental.

domingo, outubro 18, 2020


Para sempre, o amor.
 Começo esta nova etapa do blogue com uma fotografia dos tempos em que elas só chegavam até nós em papel fotográfico.

Era no tempo em que ainda todos estávamos vivos. Há uma multidão de gente que consigo ver quando olho para esta fotografia; eles eram o nosso mundo. Ou ainda são. Muitos deles já do outro lado da vida, agora, mas ainda connosco, A esta distância, que me ajuda a coar as impurezas dos dias, parece-me ter sido um tempo feliz. Mas não foi. Era a época das grandes e dolorosas aprendizagens, quando o meu mundo estava em ebulição quase permanente. Tudo se revolvia, tudo se questionava, tudo me inquietava. Eu não sabia, mas era bonita na minha turbulência, a crescer.  

Sentada no peitoril da janela donde se avistava o mar a uns 100 metros, na companhia da minha prima irmã, soprando bolas de sabão... era quase fim de tarde e respirávamos.  Ou sorvíamos, se calhar é mais isso. Ainda sinto a brisa do mar que trouxe daquela tarde de Setembro. Em 1987, creio.

quarta-feira, janeiro 02, 2019

Coisas de nada. Nada de coisas.

Estou aqui. Defronte de um copo que foi de vinho do porto. Branco. Fresco. Aqui a pensar se peço outro.
Vim para o café da aldeia, e aqui estou, sozinha no meio da multidão barulhenta, que vê um qualquer jogo de futebol. Benfica - Portimonense, ao que parece. Eu peço mais um porto, e uma água Castello.
As noites deste Janeiro recém-nascido estão frias. Aqui ao lado havia uma simpática salamandra aquecida, que alguém não tão simpático desaqueceu. Ou deixou desaquecer. Suspeito que este verbo não existe, mas nem por isso tem menos direito a figurar aqui. Eu também não existo, dizem-mo muitas vezes. E contudo, penso. Vês tu, Descartes? Nem tudo é assim tão linear como "penso, logo existo." Repenso e resisto.

Se eu morresse amanhã, alguém publicaria algures este meu texto, que seria o último. Alguém diria: "Coitada, uns morrem, outros ficam assim. Esta ficou assim, e depois morreu."

Prometi-me não deixar este blogue ao abandono. Mas nota-se muito que não tenho assunto?
Vou beber o resto do vinho do porto. Pronto. Ponto. Porto.

sexta-feira, dezembro 28, 2018

Às vezes o mundo dói-me,
e é uma dor indefinida,
algures entre a mente e a alma.

A imprecisão dos versos escrevinhados
ajuda a não compreender,
torna tudo  tranquilamente perplexo

Como se a Terra se conformasse,
ou eu,
com a inquieta perfeição do nevoeiro.


quarta-feira, dezembro 26, 2018

Olá blogue

Querido blogue,
não me atrevo a dizer que volto à escrita. Talvez sim, talvez não.
Três anos passaram desde o último texto que aqui escrevi, e a minha vida deu uma imensa volta. Assim tipo até à Austrália, que fica nos antípodas.
Deixei de trabalhar em perfumaria. Ha dois meses voltei à minha aldeia, e à minha casa de menina. Agora é a minha casa de mulher. Como há muitos anos era desabitado, o primeiro andar onde agora vivo ainda está muito longe de ficar arrumado, ou sequer limpo. Desde teias de aranha a dinossauros, há de tudo. E há eu (hei eu?), mulher destemida. E três gatos: a Nuvem, minha gatinha de sempre, velhota e ciumenta; a Líchia Picasso, uma gata-menina tricolor enérgica como só ela; e o Caramelo Deleite, o benjamim.
Quanto a projectos profissionais, ainda dormem a sono solto. Pûs-lhes o despertador a tocar para o início de 2019, não falta muito. Por enquanto cuido da minha mãe, que já vai precisando. E reflito. E leio. Escrevo, tricoto, passeio.
Hoje estive a ver fotografias de quando eu era "perfumeira", e foi ainda há pouco tempo. Não tenho ponta de saudades. Fechou-se um ciclo. À chave.


sábado, agosto 22, 2015

Considerações duma alma siderada.

As relações abertas deixam passar muita corrente de ar e um gajo acaba constipado.
E as cabeças abertas? As cabeças abertas são do pior, é sangue por todo o lado e massa encefálica à vista.
Por favor, senhores, fechem as cabeças e as relações!

terça-feira, julho 28, 2015

Às vezes tenho pensamentos estranhos. Olho para os velhos e vejo que lhes sobra pele por todos os lados, enrugam-se e encolhem. Pergunto-me se vamos mirrando dentro da pele que antes envolvia um corpo inteiro; talvez o processo de envelhecer seja esse, mirrar. Se não morrêssemos antes, acabaríamos por desaparecer por dentro; de nós sobraria apenas pele, e os vindouros poderiam usá-la para fazer tapetes. Se tivéssemos pêlo e o pêlo resistisse ao nada.
(Juro que bebi apenas água.)

E quando és tu a errar (muito)?

Tenho passado um longo período a descrer dos outros, a proteger-me de quem me faz mal, ou me quer mal, e ontem descobri que tenho sido muito...