Ora eu tenho o privilégio de viver num apartamento que fica do outro lado da rua do centro comercial onde trabalho. E então, mesmo com a meia hora para a refeição que o meu horário laboral contempla, posso vir a casa comer. Maravilha! Mas não me sobra tempo, como imaginarão.
Posto isto, anteontem aconteceu-me um encontro surrealista. Vinha eu a entrar no prédio, destino refeição, e cumprimenta-me um jovem de bigode retorcido à Eça de Queiroz:
- Boa noite.
- Boa noite.
- Vive aqui?
- Sim, vivo - disse eu, olhando para a fita azul ao pescoço do rapaz e um cartão identificativo que não li. - Vivo, mas venho só jantar, tenho meia hora, não tenho tempo para conversar.
- Mas olhe que eu sou da Unicef! Não é nada de vendas...
- Ok, por acaso não tinha reparado, mas mantém-se o que disse: venho jantar, daqui a menos de meia hora tenho que estar a trabalhar, não tenho tempo.
- Pois, olhe que não é sempre que a Unicef vem cá. Eu vou embora já daqui a pouco.
- Sim, sim...
- Calculei que quisesse falar comigo, a Unicef não vem cá sempre.
- Calculou mal. Boa noite.
Falta registar, porque não o consigo por escrito, o ar arrogante e de importância da criatura.
Sim senhor, muito assertivo.
E foi assim que eu perdi a oportunidade única de falar com a Unicef.
quarta-feira, novembro 13, 2013
sexta-feira, novembro 08, 2013
Dos dias que têm passado
Têm sido intensos e confusos. Alguns dias na minha aldeia, a fazer companhia à minha mãe, recém-operada.
Próxima de Deus como já não me lembro. A caminho de casa, no outro dia, a sensação quase certeza de que tudo isto, o nosso mundo, está por um fio, mas que o Papá nos sustém nas suas mãos criadoras e amorosas, e que é possível estar BEM. A minha mãe deixei-a hoje no hospital, internada, como nova infecção. Contente por ir dormir enquanto lhe injectavam antibiótico, ela que não dormira nada na véspera. Nem eu.
O meu carro a pedir urgentemente conserto. E eu, que escorrego sem querer das mãos de Deus, eu a pedir concerto.
Ontem fiz bolo de bolacha com o meu amado sobrinho Vasco.
Ontem jantei "arroz de coisas" com os meus traquinas e lindos e queridos sobrinhos Tomás e Mateus, que antes se ocuparam a fazer de mim trampolim do sofá para o chão.
Hoje já me senti injustiçada e desamada, desconsiderada por alguém que era suposto amar-me, até por laços consanguíneos. E talvez esse alguém até me ame. Hoje já sorri, hoje já cantei, hoje já chorei. Hoje já tive a prova de solidariedade de uma amiga. Se provas fossem precisas.
Hoje já me angustiei com a angústia de um namorado, que a vida e este país de merdas e falências provavelmente vai levar para longe de mim, precisamente quando eu queria tanto estar perto e conhecê-lo. Deitada na banheira, num banho de imersão, pensei que eu não conheço os caminhos de Deus, que sigo às escuras, mas que ele me leva pela mão.
E agora, deitada na minha cama, de lágrimas no rosto, espero o sono que há-de embalar-me e dou à gata Nuvem o mimo raro de dormir na minha cama. Coitada, nestes dias ela sentiu a minha falta. Às vezes eu desejava que os humanos falassem a linguagem transparente dos bichos.
Próxima de Deus como já não me lembro. A caminho de casa, no outro dia, a sensação quase certeza de que tudo isto, o nosso mundo, está por um fio, mas que o Papá nos sustém nas suas mãos criadoras e amorosas, e que é possível estar BEM. A minha mãe deixei-a hoje no hospital, internada, como nova infecção. Contente por ir dormir enquanto lhe injectavam antibiótico, ela que não dormira nada na véspera. Nem eu.
O meu carro a pedir urgentemente conserto. E eu, que escorrego sem querer das mãos de Deus, eu a pedir concerto.
Ontem fiz bolo de bolacha com o meu amado sobrinho Vasco.
Ontem jantei "arroz de coisas" com os meus traquinas e lindos e queridos sobrinhos Tomás e Mateus, que antes se ocuparam a fazer de mim trampolim do sofá para o chão.
Hoje já me senti injustiçada e desamada, desconsiderada por alguém que era suposto amar-me, até por laços consanguíneos. E talvez esse alguém até me ame. Hoje já sorri, hoje já cantei, hoje já chorei. Hoje já tive a prova de solidariedade de uma amiga. Se provas fossem precisas.
Hoje já me angustiei com a angústia de um namorado, que a vida e este país de merdas e falências provavelmente vai levar para longe de mim, precisamente quando eu queria tanto estar perto e conhecê-lo. Deitada na banheira, num banho de imersão, pensei que eu não conheço os caminhos de Deus, que sigo às escuras, mas que ele me leva pela mão.
E agora, deitada na minha cama, de lágrimas no rosto, espero o sono que há-de embalar-me e dou à gata Nuvem o mimo raro de dormir na minha cama. Coitada, nestes dias ela sentiu a minha falta. Às vezes eu desejava que os humanos falassem a linguagem transparente dos bichos.
domingo, novembro 03, 2013
Arrumações
Decidi tentar fazer desta minha casa uma casa normal, que basicamente quer dizer organizada. Minimamente. A percorrer pilhas de papéis, postais, cartas e fotos, um a um, para decidir o que fica comigo e o que vai para o lixo, surpreendo-me: palavras simpáticas de antigos alunos emocionam-me, e eu nunca gostei nada de dar aulas.
(post perdido nos rascunhos)
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