terça-feira, outubro 31, 2006

Tttttttttttttttttttttt
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
sssssssssssssssssssssssssssss
ttttttttttttttttttttttttttttttttt
eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.

E não vou dizer que não sei porquê, mas a explicação seria longa e inútil.
Precisam-se pensos coloridos para a alma
e um balão de hidrogénio para a auto-estima.

domingo, outubro 29, 2006

A tirania da beleza

Houve uma vez alguém que na net me achou muito interessante, e que todos os dias me dizia que eu era linda e interessante, e até chegou uma vez a dizer que tinha receio de se apaixonar por mim. LOL LOL LOL. E cansava-se essa criatura de me pedir uma foto minha. E quando lhe mostrei uma, deixei de ser interessante, deixámos de ter longas conversas, deixei de existir no intermundo dele.
E eu aprendi a desprezá-lo. E garanto que sou normal. Mulher baixa e gorda, quarenta anos, normal. Dois braços, duas pernas, e tudo aquilo que a anatomia dita, tudo aquilo a que tive direito. E se me faltasse alguma coisa, algum membro, algum órgão, eu ainda podia ser bonita.
Pessoas feias só conheço as que têm a cabeça cheia de preconceitos, que ferem e mentem de propósito.
TENHO ESCRITO.

Ainda a felicidade

Disse-o aqui há dias: tenho um vazio em mim. Sou incompleta. E só por isso não sou feliz. O que - resssalve-se - não é tragédia nenhuma.
Houve quem pensasse que essa incompletude se devia ao facto de viver sozinha, de não ter o amor de um homem. (Não digo "ou de uma mulher", porque não sinto a mínima apetência para a homossexualidade....) Mas não. Não tem nada a ver. Uma vez deixei-me embarcar num pseudo-amor, mas pseudo eu só soube no fim, e lembro-me de sentir coisas que não me eram e não me são normais. Como se, pelo facto de ser sozinha, eu adormecesse uma parte do meu coração, a vontade de tocar, de abraçar, de ser muito muito muito protegida... etc. Mas quando tudo terminou fui voltando a mim, e incompleta tanto o sou sozinha como acompanhada.
E quem foi que disse que desapossados é que estamos livres para caminhar? Disse muito bem, acho eu.
A solidão é inevitável, mas eu vejo-a em quem está só e em quem está acompanhado.
E não há nada que pague a liberdade de fazer o que quero, fora das horas de trabalho, claro!
Diz a minha mãe que sempre fui a mais desapegada e independente dos filhos. Não tinha saudades de casa, estava sempre deserta para ir para o laréu, para a casa dos outros, para a escola, para a rua.
Sou um pouco claustrofóbica, e muitíssimo vagamunda. Eu e eu eu e eu! Individualista q.b. Mas não egoísta, não mais do que o comum.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Sonhos...

Tenho-os tido dos mais estúpidos. Quase todos envolvem o meu trabalho.
Hoje acordei cedo e soube que estava de folga. Pensei "vou levantar-me, andar um bocadinho, fazer qualquer coisa útil desta vida, esquecer este cansaço." E nisto, adormeci. Caminhei muito, apanhei ar nas ventas, senti-me contente. E quando acordei de novo, deitada na minha cama, quase uma da tarde, fiquei triste por constatar que só a sonhar não se faz o que se pretende.

Sabes, mãe...

Eu nunca te tratei por tu, mas aqui vou tratar.
Não lês isto, portanto não te incomoda.
Eu tenho uma fotografia tua, pequenina, aqui na mesa ao pé do computador. Numa moldura que me deu a Cristina, e que tinha um anjo sentado na parte de cima, um anjo prateado, mas as gatas embirram com anjos, vá-se lá saber porquê, já são não sei quantos que vão à vida. Não faço mais colecção de anjos, está decidido.
Mas tu, mãe, tu és um anjo de costas vergadas e pernas arqueadas pela osteoporose e pela vida. Nunca to vou dizer, mas não sei se sabes o quanto gosto de ti. Acho que também nunca mo disseste, mas eu sei que me amas.

A sério

É um cansaço sem justificação, um cansaço com que me deito e acordo, parece que o corpo me pesa toneladas e cada gesto é um esforço.

Acho que tenho que ir ao médico...

quinta-feira, outubro 26, 2006

Aula de step



Imagem retirada daqui.

Aula de step aqui no prédio é todos os dias com a minha instrutora gata Julie. Sobe e desce escadas, e corre e espera e pára. E lá vou eu, exercitando estes músculos perros. Absolutamente grátis. Um miminho só pra a dona!

Querida "netinha"


Através dela, da inter netinha, fiquei a saber que a mosca tsé tsé tem dois acentos. Registo aqui, em vez de corrigir no post de baixo, para prestar um pequeno tributo à minha ignorância. Afinal que tem a minha ignorância a menos que a de Sócrates, que ele ficou famoso e eu continuo no colectivo e alegre anonimato? Também só sei que quase não sei nada.

Aqui está a mosca. Não, não a fotografei quando me mordeu, nem quando voltou a reclamar para que escrevesse devidamente o seu nome. Procurei a imagem na net, e perdi o link. Um pouco repelente, o insectozinho, não acham?
(Parece que os efeitos da mordedura da bicha são mesmo fatais. Perdoe-se-me, portanto, a brincadeira parva.)

Cansaço

Cansaço horizontal, que adormece e acorda comigo, e me
p
u
x
a

p
a
r
a




baixo. Vai passar quando?

Matem a mosca tse tse, por favor!

quarta-feira, outubro 25, 2006

Não me agrada

Não me agrada, não me agrada mesmo sentir que magoei os outros ou que fui injusta. Tratando-se mesmo daquelas injustiças que todos cometemos de vez em quando, quando damos voz a coisas que pensamos e o que pensamos não é justo.
Sou capaz de adormecer e acordar com o mesmo nó no coração, por coisas pequenas, muitas pequenas, e não descansar enquanto não tiver a certeza de ter sido perdoada.
Será "normal"?

Coisas que me baralham

um blog que conheço há muito tempo, de que nunca gostei, que sempre me inquietou. E que sempre visitei. Trata-se assim duma espécie de morte anunciada. O seu autor (ou autora) escolheu o dia 1 de Novembro para se suicidar, e o blog conta as suas (des)razões de viver ou morrer, desde essa decisão. Um ano de blog. Confesso que não sei o que acho. De mau gosto, sem dúvida, seja brincadeira ou não. Um blog cruel até, direi eu, para espíritos mais frágeis. E o tempo está a terminar.
Eu nunca tinha visto um suicídio anunciado com aquela lucidez (?) e aquela antecedência.
Confesso que não sei o que pensar. E se é para ajudar, também não sei.
Se alguém souber, faça favor...

segunda-feira, outubro 23, 2006

Sou feliz?

Que raio de pergunta! Mas é a pergunta do dia, depois dumas leituras por aí.
Uma vez, há muitos anos, uma grande amiga minha que continua a sê-lo, disse-me:
- Sabes, às vezes penso que não sou feliz. Mas também penso que nunca o fui, e isso tranquiliza-me.
Percebi perfeitamente. Vivemos bem sem a felicidade, desde que não sejamos infelizes.
Mas isso também depende dos conceitos. Eu sei que tenho tudo o que preciso e talvez mais. Tenho liberdade, dinheiro, família, amigos, capacidade de discernimento, trabalho, sensibilidade. Quase todos os dias encontro motivos para rir, muitas vezes encontro motivos para chorar... :) E chorar também faz parte, ajuda-nos a lavar a alma, ajuda-nos a manter-mo-nos despertos, limpos e jovens. Que mais quero?
Mais nada, acho eu. Mais nada que eu consiga definir.
Mas tenho um vazio em mim.
Sou incompleta.
Só por isso não sou capaz de dizer que sou feliz.

domingo, outubro 22, 2006

Vou fazer exactamente o que me apetece.

Deitar-me.
Aquecedor ligado, as gatas por ali...
Eu a ruminar ideias, a ler qualquer coisa, ou a não fazer nenhum. O tempo que me apetecer. Porque mereço, e já trabalhei hoje.

Daí, de longe, embalem os meus sonhos, que eu hoje quero ser uma menina pequenina. Durante umas horas.

Umas horas depois...
A minha ideia não era dormir. Mas apenas consegui reler um livrinho maravilhoso, pequenino, lê-se em poucos minutos, mas a sua mensagem é muito importante. (O Pássaro da Alma, de Michal Snunit, editora Vega)
Depois apaguei a luz para descansar os olhos. Fechei-os. Acordei 3 horas depois. E agora segue-se uma canjinha, um banho, e uma noite de sono. ;)
Quem muito dorme, pouco aprende!

sexta-feira, outubro 20, 2006

Assim...

Passeio pela praia, ao final da manhã. Ninguém. Só eu, o mar, a espuma branca, a água fria. Descalça na areia.
A fronteira: areia molhada, fria - areia quente, suave, onde os pés se enterram. Apenas uns 20 minutos de passeio. Tão bons!... Apanhei duas conchas perfeitinhas, que trouxe para as gatas, de presente. Não parecem ter apreciado muito... Gosto da praia só minha, ou quase. Gosto dos outros tons do mar. Não só o azul. O cinza, aquele enovelar em muita espuma branca. E o vento que empurra flocos de espuma na direcção dos meus pés.
E um café, olhando ainda o mar. Um café extremamente comum, em chávena comum. Noventa cêntimos. E não, parece que não era engano!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Lá fora chove

...e eu estou profundamente cansada, depois das emoções de hoje. As gatas dormem na minha cama. A Julie enrolada sobre si própria, vê-se que repousa da inesperada aventura. Fiquei a pensar se, como nós, também os gatos assumem a posição fetal, quando necessitam de conforto extra. Pûs-lhe a mão sobre o pêlo e fiquei a senti-la respirar, agradecendo o pequenino (?) milagre de a ter aqui. E vim à net saber mais sobre gatos. Querem saber?

História duma gata tresmalhada e da sua dona desesperada

Pois é, a minha gata Julie não estava fechada em casa do vizinho, como eu julgava. Tinha caído dum terceiro andar, estilhaçando o vidro duma carrinha. (O que eu vou ter que pagar, claro!)
Desesperei-me, chorei, imaginei-a morta, ou muito ferida...
Alguém me deu a ideia de ir lá abaixo à garagem onde estava a carrinha magoada, ver o modelo e marca, para ter uma ideia de quanto custaria o vidro, para não tentarem enganar-me. Foi o que fiz. Mal a minha gata me sentiu lá, e sozinha, miou. Chamei: JUlIE!!!! Miou de novo e saiu de baixo da carrinha, intacta, embora suja e nitidamente assustada. O meu coração rejubilou!!!
Caramba, gosto tanto das minhas "meninas", que acho que nem sei o quanto gosto delas!!!

O apego aos animais, aos nossos.

Hoje zanguei-me com a gata Julie, porque desde que tentei habituá-la a uma "areia" de que ela não gostou (sílica, acho que é isso) ela descobriu que um cobertor no chão, ou num cantinho aconchegado, era igualmente um bom sítio para se fazer xixi. Já lhe mudei a areia, e em princípio, o problema estaria resolvido, mas agora faz na areia, e de vez em quando também noutros sítios. Hoje bati-lhe. Ficou sentida, e mal abri um bocadinho a porta que dá para a varanda, escapou-se. Nunca mais a vi. Chamei-a, chamei-a... NADA. Espreitei para a varanda do vizinho. Um vaso com terra entornada, fez-se suspeitar que ela por ali tivesse andado. Mas não está lá. E a casa do vizinho está fechada. O vizinho vive sozinho e passa muitos dias fora, alguns meses no estrangeiro, inclusivamente. Já lhe toquei à campainha. Já fui à vizinha de cima pedir um contacto. "Quando a minha mãe vier", disse ela. "Ela tem".
Dói-me a cabeça.
Estou à espera.
Estou com saudades da minha gata grande. E preocupada.

Auto-publicidade

Histórias saídas do mais pequenino do mundo da minha imaginação, na Caixinha de Música. Passem por lá e comentem, sugiram, critiquem. Neste caso é-me importante o feed-back.
Obrigada.

As prometidas cenas do próximo episódio

Compûs o meu melhor ar de mecânica e lá fui eu. Macaco, pneu sobressalente, chaves, concentração. Depois de uns minutos sozinha a tentar entender a coisa, lá me aparece um rapazinho jeitoso e simpático:
- Precisa de ajuda, dona?
- Agradecia muito, porque realmente não estou a atinar com isto...
E ele fez tudo sozinho, com o meu apoio moral e a minha gratidão ali ao lado.
Mas quem é que disse que não há cavalheiros nos dias que correm?!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Desafio

Amanhã aguarda-me uma tarefa quase hercúlea: mudar um pneu do carro.
Não perca cenas do próximo episódio:
- Vou ser capaz?
- Peço ajuda?
- Telefono à Marta da Ok Tele Seguro?

(Não faça nada. Vou já enviar-lhe um técnico para mudar o pneu!)

terça-feira, outubro 17, 2006

Diálogo semi-inventado com a gata Nuvem

- Que é isto de roubares as minhas sandes?
- Miau!!!
- Eu por acaso roubo a tua ração?!
- E tu por acaso já pensaste a seca que é comer sempre a mesma coisa, ao pequeno almoço, ao almoço, ao jantar?
- Hum... Gata Nuvem, já reparaste que estás a ficar gorda?
- E se olhasses por ti abaixo? Hum?

domingo, outubro 15, 2006

A dormir

Mais ou menos como dizia Miguel Torga, estou neutra, morna, a dormir, com a carne acordada.
E além do mais dói-me a garganta.

Volto já. Volte também.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Incha, desincha e passa

Ou "A Lógica particular de quando eu estou chateada".
Coisas que habitualmente não têm qualquer importância, não são ofensivas, não me magoam, assumem outros contornos quando eu estou aborrecida ou sensível.
Sou labiríntica*, nessas alturas. Pareceria que tenho prazer em ficar mais triste (recuso-me a acreditar nisso!). Ou então é uma espécie de catarse, porque me faço chorar, e depois de chorar bebo muita água, e quanto mais choro mais mijo, ao contrário do que me dizia o meu pai, e enfim, libertados os líquidos de várias formas, fico melhor.


*É mais ou menos como naquela anedota:
- Tu és um tipo fixe!
(Que quis ele dizer com aquilo? Fish é peixe... o peixe anda no mar... o mar é grande... a serra é grande... e tem neve... a neve é branca... branco é o leite... o leite vem da vaca... a vaca tem cornos... #$$###???!!!)

quinta-feira, outubro 12, 2006

Uma casa portuguesa

Duas gatas portuguesas, com certeza!
E meio tresloucadas, parece-me.
Duas da manhã.
Faço um esforço e estendo a roupa molhada no estendal, na sala. Um esforço para não me ir deitar sem estender a roupa. "Amanhã vou agradecer-me", penso. Vou à cozinha e, quando volto, suas excelências D. Julie e D. Nuvem estão instaladas em cima da roupa molhada, em cima do estendal.
- Sois parvas ou quê?
Vem-me à memória uma coisa que me disseram ultimamente, que os animais tendem a parecer-se com os donos. É mentira. Os meus óculos estão roídos nas hastes (fica atrás das orelhas, não se vê), D. Nuvem rói os meus óculos enquanto eu durmo, e eu nunca roeria os óculos das gatas, se elas precisassem de os usar.
Alicio-as para o quarto, fecho-lhe a porta, vou pôr o estendal na varanda. Cai o estendal e a roupa molhada, na varanda não muito limpa... Ai!! Mas é noite, amanhã se verão os resultados...
É uma dona de casa sui generis, mas portuguesa, com certeza.

terça-feira, outubro 10, 2006

A minha gatinha Nuvem

vem estender-se perto de mim, quase em cima do teclado do computador. Agarro-a e ronrona nos meus braços, felpudinha, mimenta... Fico a olhá-la e a pensar que amanhã provavelmente me aguardam preocupações e tristezas, mas isso é amanhã.
E quem as não tem, muito mais até do que as famosas cartas de amor?...

O Quitério

O Quitério é o meu braço direito.

E perguntam vocês:
- Quem é o Quitério?

Já disse. É o meu braço direito.
Ao esquerdo não dei nome.

Será inviável?

Eu queria uma casa com auto-limpeza.
Com um botãozinho junto à porta de saída. Antes de ir trabalhar, carregava no botãozinho e a casa ficava a limpar-se.

Pensem nisto, senhores engenheiros...

quinta-feira, outubro 05, 2006

Aceito o "réptil"

Esta do "réptil", li pela primeira vez no blog da Rosa e gostei muito.
O Deprofundis lançou-me um réptil, num comentário ao post anterior. Aceito. Aqui vai então a história da estrela que tinha uma vaquinha na testa:

Era aparentemente uma estrela comum. Quando nasceu, a estrela enfermeira parteira virou-a de todos os lados para se assegurar de que era perfeitinha, sem maleitas, sem pontas bicudas nem arestas. Colocou-a depois sobre o peito da Estrela-Mãe para que a amamentasse, acariciasse e lhe ensinasse a vontade de brilhar. Cresceu feliz no meio das suas amigas estrelinhas, num espaço magnífico de céu limpinho, azul claro - azul escuro, consoante a hora e a latitude donde se visse.
O problema foi quando um dia, nos seus passeios, a estrela menina desceu demais e viu o mar. Achou-o lindo! E uma onda que se julgava superior às outras subiu uns metros acima do que lhe tinha mandado o vento, que é o vento que manda nas ondas. E a onda altiva segredou ao ouvido da estrelinha, que havia estrelas do mar.
- E agora vai-te embora, que o vento está a ralhar comigo - disse-lhe ela. E desceu.
A estrela menina voltou para o céu, mas nunca mais descansou. Dormiu mal naquela noite, e dormiu mal todas as noites a seguir. Não lhe apetecia brincar com as amigas. Não tinha vontade de brilhar. Os pais chamaram o médico, e o médico fechou-se num pedacinho de céu forrado de nuvens, a conversar com a estrela pequena. E percebeu que eram as saudades do mar que a deixavam triste. Carregou-a ao colo nos seus braços brilhantes (o médico era uma estrela, claro!), deu-lhe um xarope especial feito de beijos e abraços, e foi deitá-la para que dormisse e descansasse. Depois aconselhou os pais a deixarem-na ir viver no mar. Ser uma estrela do mar. Os pais não queriam muito, porque gostavam muito da sua menina e preferiam tê-la por perto, mas percebendo que ela só seria feliz se fizesse o que o seu coração queria, deixaram-na ir.
Ela saiu do céu numa manhã de muito nevoeiro, e pelo caminho, perdeu-se. Além disso ainda não tinha aprendido as cores. Viu um grande campo verde, ao longe, e dirigiu-se para lá a correr a toda a velocidade, pensando "É o mar!". Porque ela viu verde e pensou que era azul. E como ia a toda a velocidade não teve tempo de parar quando lhe apareceu pela frente uma linda vaquinha. Era uma vaquinha pequena, andava a pastar no campo. E a estrela, mesmo sendo ainda criança, era grande. As estrelas são muito grandes, mas a nós parecem-nos pequeninas só porque o céu onde vivem é muito longe. A estrela que era muito grande bateu na vaquinha, e a vaquinha ficou colada na testa da estrela.
E então, para não molhar a vaquinha, ela já não quis ir para o mar.
Voltou para o céu, contente com aquela companhia que trazia na testa. E brilhava muito. E quando chegou ao céu todos ficaram muito contentes, as estrelas todas, e aquela vaquinha, que passou a morar no céu, na testa da estrela menina.
E nenhuma estrela se admira, quando no céu se ouve: muuuu!!!!!

quarta-feira, outubro 04, 2006

A vaquinha que tinha uma estrela na testa

viveu toda a minha infância no curral das vacas que havia junto à casa da minha avó. Chamava-se Estrelinha. Ao que parece, só eu a conheci. Quando falei dela lá em casa, ninguém se lembrava. Nem os meus irmãos, nem os meus pais, ninguém! E agora também já não me lembro. Não sei se era castanha se era preta, só sei que tinha uma estrela branca na testa, e que a mimávamos muito. Devia tê-la guardado para mim. Compartilhei-a com o mundo, e como era feita de imaginação, esfumou-se. E eu que achava mesmo que ela tinha existido!
Ainda hoje, quando conto aos meus irmãos qualquer coisa que eu tenha por verdadeira, mas que lhes pareça imaginada, eles me dizem:
- Sim, isso deve ser como a história da vaquinha que tinha uma estrela na testa!...

terça-feira, outubro 03, 2006

Asas

Dizia-me hoje uma amiga que eu tenho uma multidão de gente que me quer bem e me estende a sua asa protectora. E é verdade. Tenho. E gosto. Tanto!...
Fiquei a pensar que talvez a minha vocação não seja mesmo ser mãe.
Talvez a minha vocação seja ser filha.
Ser protegida, ser acolhida, ser amada.
Alguém sempre velando o meu sono, e olhando, pela janela, os meus passos. Torcendo por mim.
Mas sei lá se isto é verdade!
Eu gostava tanto de ser mãe!
Enfim, não calhou... talvez venha a ser avó! LOL

"Eles andem aí"

São lobos disfarçados de cordeiros. Esperam que lhes façamos uma festa e depois mordem-nos.
Acontece, sim.
Acontece na net, mas acontece também no nosso mundo visível e palpável do dia a dia.
Manda o bom senso que sejamos prudentes.
Mas manda também que não sejamos excessivamente desconfiados.
E, das duas uma:
Ou eu sou burra
ou o equilíbrio é difícil.