sexta-feira, abril 30, 2010

Nos últimos dias tenho andado emocionada com a vida. E tudo porque estive a um passo de a perder.
Posso falar disto, agora que já passou, e restam apenas algumas pequenas mazelas físicas. Num acidente na auto-estrada, vi o carro a encaminhar-se na direcção do abismo, eu sem nenhum controlo sobre ele, e pensei "Pronto, vou morrer!" Depois pensei na minha família, no desgosto infinito dos meus pais.
Mas não foi ainda. O carro embateu nos rails da auto-estrada e virou de novo para o lado de dentro. Saí quase sem dores. Chamaram a ambulância e passei 6 horas no hospital, entre Raios X e ecografias, deitada numa maca, com um colar cervical a apertar-me o pescoço, enquanto se despistava a hipótese de ter alguma coisa grave. Nada partido, a não ser o carro, que vai direitinho para a sucata. Pouco me importa, aliás, não me importa de todo. Tenho o peito (ainda) muito dorido e alguns hematomas (grandes), mas mais nada.
Entretanto tive tempo de pensar em muita coisa, e agradecer muito a Deus esta nova oportunidade.

domingo, abril 25, 2010

Soluções para a não-violência

Ouvi há pouco a vizinha do lado dizer para o marido: "um beijo". E não lhe deu beijo nenhum. E isto acontece com todos nós: estando em presença da outra pessoa, dizemos por vezes "um beijo" ou "um abraço", ou qualquer outra coisa do género, e nem nos movemos do nosso lugar.
Então penso que podíamos fazer exactamente o mesmo para evitar sermos violentos: podíamos dizer "um insulto", "um pontapé", etc, e quedarmo-nos por aí. E a nível mundial, que tal sentarem-se os dirigentes de alguns países nas suas confortáveis poltronas e dizerem uns para os outros "um tiro", "um míssil", "uma granada". Assim, só para desabafar.
Que vos parece?

quarta-feira, abril 21, 2010

Coimbra



Aprender coisas, ler, tirar fotografias, fazer experiências. E depois, ir ao psiquiatra para conversar e ajustar a medicação. Ele é uma doçura, muito técnico por um lado, muito humano, por outro lado. Aprendi um nome para aqueles suspiros que às vezes irrompem lás das profundezas do meu sentir: dó(s) de peito.
(e este dó de peito é musical - informa-me o google... fico assim um tudo nada confusa :)...)

Mau olhado



Estava eu no parque em Coimbra, de volta da máquina fotográfica e do manual de fotografia (ando mesmo afim de aprender!) quando me surge esta senhora que me queria ler a sina. A troco de quanto, não sei, não perguntei. Mas lá me foi dizendo que eu sofria de mau olhado e mal de inveja pior que doença, e qualquer coisa que não percebi relativa ao meu casamento... :)
E que me tirava esse mal, que não era nenhuma fortuna.
Disse-lhe que não, que não, e que não, sempre sorrindo. "Keep smiling", como depois me disseram. Que não queria que me lesse a sina, que não havia motivos para que alguém me invejasse, e que não precisava dela para ter sorte, porque até já tinha.
Virou costas.
Fotografei-a.

sábado, abril 17, 2010

Instinto "fraternal"

De manhã, ainda na cama, ouço a gata Nuvem fazer um ruído estranho, como de dentes a ranger e pequenos gritinhos, repetidamente.
O que estará ela a ver? - pergunto-me.
Olho para onde ela olha, e através da janela vejo um lindo passarinho pousado num cabo eléctrico...

sexta-feira, abril 16, 2010

Da tristeza, da força e da alegria

Ontem alguém que me conhece bem disse-me que não escrevesse no blogue coisas negativas da minha vida. "Porque a tua vida não é isso!" e "Não te sentes ainda pior por escreveres essas coisas?"

De facto a minha vida não é a tristeza e o desânimo em que por vezes me afundo. Ás vezes é uma alegria sem porquê, e mesmo nos momentos de trevas sei que uma luz imensa me guia, e que uma força subterrânea há-de fazer-me emergir.

Mas não, não me sinto pior quando escrevo o que sinto. Há sempre algum feed-back que me ajuda, porque sim, sou mimenta, e é nestas alturas de dor que o mimo me faz mais falta. Não espero que o mundo me compreenda e se solidarize comigo, mas espero-o dos meus amigos. E este blogue, conquanto aberto ao público, é para aqueles que me querem bem, conheçam ou não o meu rosto.
E depois acho que a tristeza é tão comum, e tanta gente por aí se sente tão só!... E a obrigação de ser sempre alegre e amordaçar o nosso lado lunar só nos acorrenta.

Sou como sou. Esforço-me, resisto, cresço e mudo. Não tenho porque ter vergonha de mim.

terça-feira, abril 13, 2010

Das pequenas coisas boas



Fiz um arroz de frango delicioso que dava para um regimento - a ver se encontro um regimento que queira cá vir jantar...

E descobri que no youtube também posso aprender técnicas de fotografia.

sexta-feira, abril 09, 2010

Carrossel maluco

As minhas emoções andam a dar cabo de mim. Do mais lá em cima até ao mais fundo, fundo...
Hoje estou.
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assim. Aqui em baixo. Pequenina. Sem forças.

(Mas eu vou ao médico e isto passa. Sim, passa!
Dizem alguns etiquetadores que sofro de uma doença bipolar de grau II. Outros duvidam. Eu também duvido. Mas seja o que for que eu tenha, não há dúvida que inclui depressões cíclicas. E a gente sente-se um trapo. Um verme. Ou qualquer coisa pior. Mas sobrevive-se a isto. E já se sabe que há sempre uma noite entre cada dois dias. Mas o dia vence.)

domingo, abril 04, 2010

Páscoa

Hoje os sinos repicam e acordei contente. A Páscoa tem para mim um significado único, e hoje, maravilha, ainda por cima estou de folga. Vou curtir a rua e os sobrinhos, relembrar que a vida vale a pena.
Luzinha, hoje já me dediquei àqueles projectos. Tens razão, a angústia pode vir em parte daí, de falhar para comigo.

Páscoa feliz para todos!

sábado, abril 03, 2010

Vai-se andando...

Vai-se andando... esperando à noite quando a angústia se instala que amanhã seja melhor. Esperando ao final da tarde o momento de voltar para casa e ficar a sós comigo... porque venho tendo tão pouca paciência para os outros!...
Esperando...
Vai-se andando...

E sei muito bem que isto não é estado de coisas que se apresente, mas neste momento ou o blogue fica calado caladinho ou regista os meus dias. E os meus dias têm sido isto: oscilam entre aquela angústia sem motivo, ou infinitamente maior que os motivos por que apareceu, e a espera. A espera, não a esperança.

Eu sei que passa. Eu sei que passa. "Tudo é passageiro, excepto o motorista e o cobrador", disse-me uma vez um brasileiro no msn. E eu que até já quase me esqueci do brasileiro, nunca mais esqueço que tudo é passageiro. E assim sendo, ainda sorrio.