sexta-feira, julho 29, 2011

Do medo.

Diz que a cidade onde vivo está a tornar-se cada vez mais violenta. Suponho que se passe o mesmo nas outras cidades...
Uma amiga falava-me hoje do medo de andar à noite nas ruas, na tal cidade cada vez mais vilolenta.

Não é disso que tenho medo.
Tenho medo deste mundo em que cada notícia nos enlouquece um pouco mais.
Tenho medo de viver num mundo em que um gajo qualquer ouve música enquanto mata dezenas de pessoas, uma a uma.
Tenho medo desta espécie de gangrena que nos vai aniquilando.
Coisa mais linda!

quinta-feira, julho 28, 2011

Saber esperar.

Uma grande virtude em que sou especialmente inábil.
Estou inabilmente à espera de tudo. À espera das férias para me espraiar naquele cantinho de paraíso onde se ouvem os pássaros e o vento nas copas das árvores.
À espera de mim no fundo de mim.
À espera de inspiração para arrumar esta semper-caótica casa, ou de dinheiro para pagar uma empregada doméstica.
À espera.

segunda-feira, julho 18, 2011

O cansaço não é bom conselheiro, disse-me uma amiga. Daqui a menos de mês e meio vou de férias. Vou concentrar-me nisso. E por agora, pôr uma música suave e relaxar.
Hoje magoei muito uma amiga de quem gosto imenso. Talvez tenha perdido uma amiga, que ela disse que não sabia se poderia perdoar-me. Este meu temperamento explosivo destrói tudo à minha volta. E destrói-me.
Estou triste, muito triste. E tenho que assumir as consequências, tenho que aguentar a dor.

quinta-feira, julho 14, 2011

Há algumas pessoas que parecem ter muita dificuldade em perceber que somos nós que escolhemos o caminho da nossa felicidade, e que o caminho pode ser em tudo diferente dos modelos pré-estabelecidos. E que nem sempre se pode ser completamente feliz, mas podemos ser autênticos. Verdadeiros. Simples. E isso já se aproxima de ser feliz.


Às vezes acho que sou feliz. Outras vezes acho apenas que não sou infeliz. Em todos os casos, sou eu que escolho o caminho.
Falta um mês e meio para ir de férias. E mal posso esperar. Mas ainda posso esperar.

segunda-feira, julho 11, 2011

A super-avozinha

É assim que é conhecida a minha mãe, lá na aldeia, pelos garotos da escola primária. Acho imensa piada, e registo-o aqui para não me esquecer. A minha mãe tem 74 anos e pedala que se farta na sua bicicleta por aquelas ruas fora. É uma mulher cheia de energia, que entretanto tem ficado magrinha e pequenina... Uma mulher cheia duma energia que lhe vem também da necessidade de cuidar dum marido doente e rabugento q.b., o meu pai...

quinta-feira, julho 07, 2011

Sonhos de uma criança quarentona

Aqui há dias dei por mim a dar destino aos milhões de euros que não tenho - em pensamento, pode-se tudo. Portantos, maneiras que é assim: eu vou abrir um restaurante na minha cidade, onde toda a gente vai poder almoçar e jantar. Toda a gente: quem tem e quem não tem dinheiro. Cada um paga pela refeição o que pode e entende: desde rigorosamente nada até... até o que se quiser.

Então e porque é que eu não ganho o euro-milhões?

sexta-feira, julho 01, 2011

Em Agosto faz dezassete anos...

Tenho passado estes dias mais ou menos a leste do que se passou com Angélico Vieira, que aliás não sabia quem era. Mas hoje, porque não estava em minha casa e na casa dos outros mandam eles, vi o telejornal. As imagens do funeral dele tocaram-me muito fundo. Um caixão. Um jovem. E eu recuei dezassete anos até um outro dia, um outro caixão, um irmão com vinte e quatro anos. Foi como se tivesse sido hoje. O meu coração voltou a sangrar. Chego à blogosfera e vejo que não fui a única a quem este funeral de hoje avivou dores que suavizam mas nunca passam. Somos muitos, somos demasiados os que compreendemos por dentro estas perdas.