quinta-feira, agosto 25, 2011

Vêm aí as férias. São já já a seguir! E como estou necessitada delas! De me desconcentrar de coisas turbulentas, de me concentrar na paz, de me estender em águas límpidas, de mergulhar no voo das aves...
Virar páginas, reescrever memórias, reinventar futuros e amar passados com as doridas promessas de outras manhãs a haver.
Quero.
Preciso.

terça-feira, agosto 23, 2011

Divirto-me muitas vezes com os clientes. As minhas colegas dizem que atraio conversas surrealistas. Na verdade, eu acho que as alimento:

- Posso ajudar?
- Não, ando à procura de alguma coisa fora do normal...
- Mas "fora do normal" no sentido de esquisito ou no sentido de extraordinário?


- Posso ajudar?
- Nunca se sabe, nunca se sabe!


E o cansaço, o que faz:

- Boa noite e F5
-?
(F5 é a tecla para finalizar a venda)

- A Nossa Senhora já leu a revista?
(A senhora já leu a nossa revista? - era isto o que eu queria dizer)

- Agradecia que fizessem uma filha no meio da loja. Uma fila, não é uma filha...
(Isto foi na altura do Natal, toda a gente estava com pressa e de cara fechada, e foi lindo de ver toda a gente a rir. Viva o espírito natalício, viva eu!)

Pronto: hoje preciso de recordar coisas giras, coisas que me fazem sorrir, e que fazem sorrir as pessoas à minha volta, mesmo quando somos uns para os outros perfeitos desconhecidos. Sorrir une as pessoas e faz o mundo ficar mais bonito. Nem que tenhamos todos que ser um pouco tolos.

quinta-feira, agosto 11, 2011

O alecrim metáfora.

Tenho à entrada da casa um alecrim seco. Arbustro castanho e morto num vaso de barro. Ainda não me apeteceu tirá-lo de lá, embora todos os dias pense em fazê-lo. Desde que me roubaram e estragaram as flores todas (sobrou aquele alecrim) deixei de querer saber disso. Esperei que o viessem buscar também. Mas não vieram, e ele morreu. É uma metáfora do meu mundo interior, cheio de coisas mortas no meio de outras vivas e agitadas, e outras apenas adormecidas. É uma metáfora também do mundo exterior como muitas vezes o vejo.
Devia mas era levá-lo para o lixo. Também era o que devia fazer às coisas mortas dentro de mim. E até a algumas vivas.

domingo, agosto 07, 2011

Das coisas que eu digo

Sobre o vício de roer as unhas:
- Como já pareceria mal comer macacos, vou roendo as unhas...

E por causa disto lembrei-me agora da história do optimista e do pessimista:
Optimista: - Isto vai de mal a pior. Estou convencido que, no fim do mundo, há-de haver só merda para comer...
Pessimista: - E chegará para todos?

quarta-feira, agosto 03, 2011

Na aldeia

Na aldeia havia hoje muitos emigrantes, de férias au Portugal. Como gosto deles, gostei de os rever. Um ano, às vezes mais, às vezes muito mais, e o afecto, a camaradagem continuam.
Os sobrinhos Diogo e Vasco ofereceram-me uma pulseira, vinda de Espanha para mim, por iniciativa deles. (Comove-me ter sobrinhos (pré-)adolescentes que são já tão independentes e continuam a gostar de mim como quando eram meninos pequenos...)
Depois levei um livro de histórias aos sobrinhos mais novos, e estive a ler-lhas e a ver com eles as ilustrações, sentada ao sol do fim de tarde, com os campos verdes por companhia. (Comove-me ter sobrinhos pequenos que me incluem nas suas brincadeiras e me recebem sempre com um abraço...)
Venho cheia de mimo recebido, hoje. E continuo a ansiar pelas férias... of course, my horse - ensinou-me há muitos anos, mais de trinta, a minha professora de inglês. Bem sei, bem sei que havia outras coisas que devia ter aprendido assim com tanto afinco, não somente os disparates tontos, mas Tontice é o meu nome do meio.

Também levei a minha mãe a visitar uma amiga num lar de terceira idade - um dos lares que eu conheço em que se vêem de facto os velhotes cuidados e acarinhados... nada daqueles depósitos de velhos onde há só cabeças baixas e cheiro a urina.
Quando a minha mãe disse, a propósito da velhice, que sentia às vezes o corpo a arquear "e assim como se quisesse inclinar-se para a frente", só me ocorreu aquele poemazinho que aprendi na escola primária:

A torre de Pisa,
em Itália,
como qualquer torre,
não fala.
Mas inclina-se para a frente e cumprimenta a gente.
Não é como a torre de Belém que não cumprimenta ninguém.

Depois dizem-me que sou uma criança traquina num corpo adulto. Tem dias...

terça-feira, agosto 02, 2011

Caro Sérgio, melhor e mais precioso que fazer um amigo é reencontrar um amigo vinte anos depois e descobrir  que a empatia, a cumplicidade, o afecto esperaram e permanecem. Obrigada, J.