segunda-feira, julho 26, 2010

Abro as janelas da minha casa pequenina. Destranco os ferrolhos da minha alma pequenina - abro uma fresta para um pouco de paz. Odeio este calor que se abate sobre o meu corpo e me aprisiona os sentidos. Tenho a impressão de que um pedaço do meu coração derreteu. Ou queimou-se, com os incêndios que por aí andam. Odeio incêndios e incendiários. Estou cheia de ódios, hoje. O ódio consome-me mais um pouco do coração já derretido e queimado. Quase não tenho coração. E no entanto tenho ainda o suficiente para me ferir nas arestas da extrema simpatia de algumas pessoas com quem me é forçoso conviver. Estranho como pessoas adultas podem ser tão infantis no pior sentido do termo.
Keep smiling, disse-me uma vez alguém. É tão custoso! Quem vem ajudar-me a afivelar um sorriso, por favor?

quinta-feira, julho 22, 2010

Para ti, Luzinha querida.

Minha doce amiga,
tu sabes que esse tipo de milagres já não acontecem aqui.
A morte dos que amamos dói porque é anti-natura. Não falo disto de cor, tu sabes. Sei que dói mesmo. Dói como se a terra fria pudesse continuar a ser desconfortável a quem já não está no seu corpo.
Mas olha, há milagres. O milagre de sabermos que os braços de Deus darão colo e vida verdadeira aos nossos mortos.
Não queria continuar a falar-te disto. É uma questão de fé, e tu tem-la.
E eu amo-te, Luzinha. Não me passa pela cabeça ter pena de ti. Não a tenhas tu também. A tristeza que hoje sentes é legítima, e precisas de vivê-la. Sabe apenas que a alegria está à tua espera ao virar da próxima esquina, que a abraçarás e ela a ti.
Eu trago-te no meu coração.

quarta-feira, julho 21, 2010

A necessidades de arrumar a casa

deixa-me assim: _____________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
___________________ cansada e sem palavras.

terça-feira, julho 20, 2010

Dia dos Amigos


Fui ali ao jardim a ver se encontrava uma flor bonita e fresquinha para colher com a minha máquina fotográfica, para vos oferecer, Amigos!
Em vez disso decidi oferecer-vos uma nuvem. Acabadinha de captar. Fofa e leve como algodão em rama, mas muito mais suave. Uma nuvem onde se possam sentar a descansar, uma nuvem que possam usar como tapete voador, uma nuvem que vos ajude a sonhar.
Gosto tanto de vocês!

domingo, julho 18, 2010

Das coisas que já fiz (ou Experiência de vida)

Já dancei com os pés assentes sobre as botas caneleiras do meu primo, apenas deixando-me guiar.
Já tentei andar de patins e caí.
Já fugi (a correr) dum indíviduo que se dizia apaixonado por mim, e que se havia apaixonado demasiado depressa.
Já provei azeitonas (experiência por demais traumatizante)
Já caminhei tanto ao longo da praia que me perdi e fui ter a uma praia de nudistas - eu era uma adolescente e não gostei particularmente.
Já me perdi na minha própria aldeia.
Já passei uma tarde inteira sentada num muro à espera de alguém que nunca chegou.
Já chorei baba e ranho por causa do meu pai que não me deixou ir à discoteca.
Já fui à discoteca e cheguei à conclusão que tal lugar não valia uma única das minhas lágrimas.
Já me apaixonei.
Já me desiludi.
Já dancei e rebolei na areia da praia, sozinha.
Já comi perninhas de rã.
Já tive pena da rã cujas pernas comi, embora tenho gostado do petisco, porque o bicho morreu apenas para lhe aproveitarem as pernas. Achei que o ideal seria criarem-se rãs geneticamente modificadas que só tivessem pernas. (Eu tinha um conceito estranho de "ideal")
Já provei ração de gato e biscoitos de cão.
Já dormi treze horas seguidas.
Já fiz directas a beber red-bull, a olhar para o mar e a conversar.
Já me ri muito.
Já me jogaram um torrão para a boca que eu tinha aberta por estar a rir.
Já vendi carrinhos de polícia na praia - só um dia.
Já mandei à merda algumas pessoas, mas elas nunca foram.
Já tentei hipnotizar um cão.
Já caí a um rio.
Já fingi estar doente para não ir à escola.
Já me apeteceu fazer o mesmo com o trabalho, mas nunca o fiz.
Já dancei à chuva.
Já...
E vocês?

sábado, julho 17, 2010

Zangada

E desiludida, talvez magoada. Na próxima encarnação quero nascer cão, gato ou formiga, qualquer coisa menos humana. Ensinaram-me a ser honesta e autêntica, coisas que só servem para que outros me enganem com mais facilidade.

sexta-feira, julho 16, 2010

Da vida, da doença, da amizade.

Levei hoje o meu pai a visitar um velho amigo. E há qualquer coisa de comovente num abraço entre dois homens e três muletas.

sexta-feira, julho 09, 2010

Na praia, hoje








O descanso do guerreiro


Depois de um dia inteiro na rua, a gata Julie enrola-se sobre si própria e dorme regalada.

A menina-sol




Hoje fui à praia e lembrei-me da Selma. Entre outras coisas cheguei à repetida conclusão de que não sei desenhar.


Para acrescentar um toque de realismo ao desenho, emprestei à menina as minhas crocs.

sábado, julho 03, 2010

Ideias malucas

Ontem pretendia fazer um bolo para o pic-nic de hoje. O último ovo que juntei à massa, tive dúvidas sobre se estaria ou não bom. Optei por pôr tudo no lixo e não fazer bolo nenhum. Mas antes da sensata decisão ainda ponderei fazer o bolo e comer uma fatia: se não me fizesse mal era porque o ovo não estaria estragado. Hoje ri de mim própria (rimos) a imaginar-me no hospital com uma intoxicação alimentar: Eu só queria tirar uma dúvida - diria - Afinal o ovo estava mesmo estragado! :)

Pique Nique Dique Fique Tique

O pic-nic estava combinado há muito tempo. Acabámos por ir seis pessoas. Duas (quase) não beberam e as outras quatro deitaram abaixo duas garrafas de vinho espumante. Resta dizer que eu me contava entre essas quatro e talvez fique explicado o título deste post. Houve muito sol, uma brisa ligeira, muitos petiscos, muita e boa conversa, e até canções. Por fim acabei por ficar lá sozinha a dormir uma sesta enrolada numa mantinha. Bem, sozinha é que não estava. Eu, que não sabia da existência daquele parque de merendas, muito bem arranjado e com uma pequena praia fluvial, fiquei agradavelmente surpreendida. Afinal as pessoas ao fim de semana não vão todas para os centros comerciais! Subiram vários pontos na minha consideração, as pessoas. :)
Dormi uma sesta, já disse, a cabeça sobre a mala com os meus pertences não fosse o diabo tecê-las... Quando acordei (foi só uma horinha de sono) fiquei a ouvir os vários trinados de pássaros, o som do vento nas folhas das árvores, as conversas longínquas das pessoas... Foi tão bom! E pronto, agora estou cansada. Mas contente.

quinta-feira, julho 01, 2010

O que eu talvez nunca tenha dito

Eu não sou patriota. Gosto da minha terra e das minhas pessoas, como poderia gostar de outras terras e de outras pessoas. Na verdade, eu gostava que o mundo todo fosse uma pátria só. A Terra é a casa que Deus nos deu.
Ao fim do dia uma cerveja fresca e um pacotinho de amendoins, batatas fritas ou coisas similares, engordantes e mal-feitoras. Que BEM que me sabe!

Psicocap

É a palavra que inventámos hoje para falar das nossas dificuldades psicológicas, do que nos ataranta e perturba, ou antes, da própria perturbação.