sexta-feira, março 31, 2006

Monólogo

Bem, este blog é meu, certo?
Aqui posso escrever tudo o que me apetecer, sejam embora disparates, coisas demasiado estúpidas, demasiado tristes, demasiado estapafúrdias. Aqui mando eu. Escrevo, apago, reescrevo o que me der na real gana.
É a chamada liberdade de expressão. :)

Post it

MUDAR HOJE!
MUDAR AGORA!
JÁ!!!!!!!

Nem mais um momento de auto-comiseração, de desamor, de desânimo!!!

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Como diz o meu amigo Fernando, que coisa rasca e desnecessária, o desânimo!

Já passou.
Cheira a terra molhada e ao princípio das coisas, no meu coração.

Às vezes


Às vezes fico assim. Assim assim. Quietinha, parada, a perder simplesmente o meu tempo. Olhando para ontem pelo espelho retrovisor. Canso-me a dizer a mim própria:
"Perdes o teu tempo, menina! Vê se te mexes!"
Mas é isso mesmo: CANSO-ME!!

No momento em que escrevo este post são quase duas horas da manhã. Estou aqui apenas eu. Eu e a Rnhó-nó, claro!
Penso tanto tanto tanto que mais nenhuma espécie de vida me convinha! E não. Esta foi definitivamente uma solidão escolhida, assumida, uma solidão LIVRE.
Mas sinto a falta de um abraço que há muito não recebo. Como de pão para a boca sinto a falta desse abraço.

post número 68, à falta de melhor título

Hoje perguntei à minha gata se ela gostava de mim.
Sabem o que me respondeu?:
- Minháááu!!!

Tu quoque...

quarta-feira, março 29, 2006

Música, maestro!

De folga, ligo a música alto e bom som, para me incentivar a arrumar a casa. De facto, gosto mais assim: ouvindo música. Mas confesso que ainda gosto mais de ouvir música e não arrumar a casa!

E entretanto, ponho Caetano Veloso a cantar para mim e para a gata, agarro nela e danço com ela. Mas a gata não percebe muito da minha alegria e nem das minhas coreografias, e assim que se vê livre das minhas mãos safa-se para o aconchego das almofadas.
Hás-de ficar gorda, Julie!

sábado, março 25, 2006

Notícias do interior

Assim dizíamos, nos tempos da nossa inquebrantável juventude, eu e o meus irmãos. (Parecia inquebrantável, a juventude, e sim, ainda resta muita.) "Notícias do interior" eram todos os ruídos com que o corpo se manifestava: bocejos sonoros e arrotos, incluindo aqueles "arrotos" que perdiam o elevador. :)
Hoje, a descer o tapete rolante do centro comercial para o estacionamento, depois do trabalho, cansada, bocejei. Ouviu-se. E uns senhores circunspectos, mesmo à minha frente, viraram-se e encararam-me. Olhei-os com ar inocente. Mais inocente ainda. Muito inocente. E como um deles não tirava os olhos de mim, resolvi esclarecer:
- Não fui eu. (E acenei negativamente com o meu dedinho indicador, a indicar que não.)
- Ok - disse ele. E sorriu.
Fui absolvida.

sexta-feira, março 24, 2006

Que saudades da monotonia!

Queixo-me às vezes que nada acontece. Ó alma insensata!... De ontem para hoje já me aconteceu de tudo: perdi as chaves de casa e dormi em casa duma amiga. Hoje fui chamar quem me arrombasse a porta e me pusesse uma fechadura nova. Não queria que os vizinhos se apercebessem disto, mas foi inevitável. Como não é a primeira vez que perco a chave ou a deixo dentro de casa, e como me vêem às vezes, escada acima escada abaixo, atrás da minha gata, ou voltando a casa com ela ao ombro - as brincadeiras da minha felina - ... suponho que os vizinhos me têm na conta de um pouco louca, e muito menos sã. Esta é, pelo menos, a sensação que tenho hoje. Mas também me pergunto o que tem isso de tão importante... O pior é que também estou doente (adoentada) com vómitos e dores de barriga.
Preciso de descansar o corpo e a mona, e é o que vou fazer.

quinta-feira, março 23, 2006

Os barcos



Sempre tive uma paixão por barcos. Sobretudo barcos pequenos. Barquinhos. Desenho-os desde garota, "colecciono-lhes" os nomes... Os barquinhos alegram-me.
Há um que se chama Dá tempo ao tempo. Está numa ilha lá longe, e um dia hei-de encontrá-lo de novo.
E esta foto, de que gosto muito, é o meu tributo à primavera.

Bem sei que a primavera são flores e árvores, e essas coisas, mas a minha primavera pode ser azul. Podem ser barcos.

terça-feira, março 21, 2006

O verde do meu alentejo, em Janeiro último

Mar, berço meu

Hoje fomos conversar para junto do mar, eu e uma amiga. Nenhuma de nós estava no seu melhor, mas fez-nos bem a maresia. E o mimo, pois claro, também o mimo.
Sei que o mar me faz bem, sempre soube. Acalma-me, aquele marulhar ajuda-me a (des)ouvir-me. É assim como um mantra que me descentra e me coloca de asas abertas, mais livre, sobre a relatividade de tudo.

Se eu sei, fico a pensar o que raio me impede de ir mais vezes até junto do mar. Nem sequer é longe.
Ou o que me impede de fazer diariamente uma caminhada a pé.
Ou o que me impede de me alimentar com cuidado...

Que é que me impedirá de me mimar? De ser, em tantos e tantos pormenores, mais minha amiga?
...................................... A preguiça? O desânimo? Mas quem é que acendeu a preguiça, quem é que pôs o desânimo a correr? Onde é que está o meu manual de instruções, onde é que desligo estados de mal-me-querer?

segunda-feira, março 20, 2006

Amor impotente

Quando eu era pequenina julgava que se alguém me amasse muito eu escaparia à doença e à morte.
Na verdade fui pequenina até muito tarde.

Agora é mais ou menos a mesma coisa mas ao contrário. :-) Agora tenho muita pena que o meu amor pelos outros não chegue para os fazer felizes e saudáveis.

Quando crescer, eu aviso.

sexta-feira, março 17, 2006

Morrer em vida

A propósito deste artigo da avózinha fiquei a pensar que a desgraça não é alguém morrer e ninguém dar pela sua falta. Desgraça é estar vivo um ser humano e isso não interessar a ninguém. Quando morrem sozinhos, os abandonados vão apodrecendo, e incomodam-nos o olfacto e a conciência. Muito pior é estarem vivos e não nos incomodarem nada.

quarta-feira, março 15, 2006

Diospiros

Diospiros, no meu linguajar inventado, são pessoas que passam os dias aos suspiros. Costumava dizer à minha mãe que ela era um diospiro. Mas isto pega-se, parece.
No domingo passado surpreendi-me a suspirar:
- Ai, mãe! - disse eu - Estou a ficar um diospiro...
- Vês o que faz a idade? - riu a minha mãe.

Será?

(Terríveis frutos do tempo...)

terça-feira, março 14, 2006

Que coisa difícil...

...esta depressão cíclica ou lá o que é que de vez em quando me ataca, que além de me fazer sentir muito triste me faz sentir muito estúpida; que me faz sentir fraca quando mais precisava de coragem; que me faz, aos meus próprios olhos, parecer feia, quando eu mais precisava de me sentir bonita.
Eu penso que é tão difícil explicar isto a quem nunca o sentiu, e como eu gostava de, neste caso, não perceber nada.
E no entanto, é avassaladora essa sensação de não perceber nada. Estranha a mim própria me torno.

(Já passa. Vou começar por arrumar o espaço à minha volta, metáfora do meu caos interior, com o qual, de momento, não sei viver.)

Coitadinha da minha gata, com uma companhia tão tão tão, oscilante como um sino!

sexta-feira, março 10, 2006

Bichinho de conta

Vou enrolar-me sobre mim própria, não falar, não escrever... só por uns dias. Só até me sentir menos adormecida.
Eu volto!

quarta-feira, março 08, 2006

Quarenta anos


Hoje, dia Internacional da Mulher, completo quarenta anos.
Sem jeito para balanços, e sem tempo para encerrar, detenho-me um pouco, só um pouquinho, a pensar em mim. (Aliás, faço-o muitas vezes, sem o pretexto do aniversário).
Quarenta anos. Digo devagar: QUA - REN - TA.
Tenho mais rugas no contorno da alma, e à volta dos olhos.
E espero a ternura. A dos quarenta, a que está prometida...
Tenho pena de estar longe de algumas das pessoas que me são mais queridas, mas tempo de trabalho não se compadece com festejos.

Festa festa é chegar aqui e estar contente, apesar dos pesares, por já ter vivido quarenta anos!

sábado, março 04, 2006

Tarde de peripécias


Garota de 11 anos entra no comboio para ajudar a avó a acomodar-se. A avó ia de viagem, mas a garota não. A mãe da menina fica a ver a filha partir, na estação, impotente e aflita. Telefonemas, conversas, telefonemas.
Na bilheteira:
- A minha filha foi no comboio para Lisboa. Não tem bilhete e não é para ir para Lisboa.
Risos e choros dos dois lados da história.
Canceladas as viagens (a que devia ser e a que nunca devia ter sido) lá fomos buscar avó e neta à estação mais próxima. Bem distante, por sinal. Pelo caminho pedem-se indicações complementares sobre o percurso. Chovia que Deus a dava. Eu, de co-pilota, pedi as indicações. O senhor que no-las forneceu estava abrigado da chuva, e por nossa causa deixou de estar. Quis ser gentil e saiu-me esta pérola:
- Obrigada. E DESCULPE TÊ-LO VINDO FAZER PARA A CHUVA.
What?
"Tê-lo feito vir para a chuva", queria eu dizer...
Bom, mas lá fomos ao encontro das "ovelhinhas tresmalhadas", e tudo acabou em bem.
:) Deo gratias!

Toda a gente me conhece

Agora, na loja onde trabalho, usamos uma espécie de post-it (crachás, chamam-lhes) ao peito, com o nosso nome escarrapachado. Usamos, as funcionárias, claro. Mas esqueço-me sempre que tenho a tabuleta identificativa, e surpreendo-me de cada vez que um cliente diz: "Então, muito obrigada, Dulce!". Páro sempre no processo de abrir a boca para lhe perguntar como é que sabe o meu nome. Acho que pareço um peixe, a abrir e a fechar a boca!

Façam-me um favor!


Expliquem lá a esta minha gata tonta que ela não é minha mãe, nem minha filha, nem nada disso, que somos só amigas, que ela não tem que me lamber o cabelo, que eu até agradeço que não o faça (alguém aqui sabe falar minhaunhês?)...

sexta-feira, março 03, 2006

A gente trabalha, trabalha...

...e depois deita-se para descansar e continua a trabalhar!
Esta noite, em sonhos, andei a limpar estradas com um ancinho e uma pá. Havia também um carro de mão para depositar os resíduos, e havia uns senhores do campo a ensinar-me e a rirem da minha ignorância no que toca a limpar estradas. Mas eles não mexeram uma palha! Fui eu que fiz tudo sozinha. Ainda estou para ver quem é que me vai pagar estas horas nocturnas!

quinta-feira, março 02, 2006

Vizinha nova...

Muito simpática a menina / senhora que hoje chegou para ocupar o apartamento do lado.
Gosta de gatos, gostou da Julie, que também gostou dela...
E a mim agrada-me a ideia de ter uma vizinha nova e simpática.
Gosto muito de viver sozinha, mas também gosto de ter por perto gente fixe!

Tempos de seca


:-)
Nunca estive no deserto, mas às vezes é como se por lá andasse. Os dias longos, a sede, o peso dum infinito vazio e duma paisagem sempre sempre sempre igual...


???!!!
Mas depois passa!!