sexta-feira, março 30, 2007

Já é outro dia!

Sono, pequeno almoço, caminhada...
E agora vou trabalhar.
Enquanto não me ocorre postar nada de mais positivo, que ontem à noite a minha alma estava negrinha, podem entretar-se a ler O Arco-íris da Margarida...

Racionalizando...

Dentro de mim há um vazio sem remédio e sem remendo. Nada que me impeça de viver, tão pouco de ser feliz na medida do impossível, como canta Zélia Duncan.
Talvez esse vazio tenha por objectivo fazer-me superar-me. Mas preciso de vigiar, de zelar por mim, porque é fácil cair dentro desse vazio que está cá dentro...
E não estará em todos nós, seja qual for a condição ou o estado ou o momento da vida?
Nada de dramático, penso eu.

Nota mental: comprar tomates e bananas.


Nota mental II: não vou apagar este nem nenhum dos posts abaixo. Mas vou dormir. E amanhã É OUTRO DIA!
(Hoje tive um dia muito cansativo - viagens de carro - e não fiz a minha caminhada...)

Ok, estou a avariar

Ok, preciso de ir dormir.
Mas posso só postar uma palavra mal cheirosa com cinco letras? E um ponto de exclamação?

Fico-me só pelo ponto de exclamação:
!

Ideias peregrinas

Às vezes ocorre-me a ideia peregrina de que a minha vida é improdutiva.
Porque a minha responsabilidade é apenas cuidar de mim, e nem sempre o faço bem. Não há ninguém que precise efectivamente da minha presença, da minha assistência, da minha existência. Sou dispensável. A não ser talvez para as minhas gatas, que precisam que lhes compre Friskies...
E nenhuma outra forma de vida me convinha, essa é que é essa!

Isto não é uma queixa, apenas uma reflexão.

quarta-feira, março 28, 2007

Manhã no centro de saúde



Cheguei tarde, já tinha passado a minha vez, e tive que esperar a "segunda volta". Ainda assim, não muito tempo. Em duas horas o médico conseguiu atender 14 pessoas. É obra, penso eu!...
Confesso que ia saudável e vim doente. Ok, que fui eu fazer ao médico se ia saudável? Pois bem, fui questioná-lo acerca das dores musculares frequentes, pedir a medicação habitual para o bom funcionamento da mona e dos afectos :), e aconselhar-me para manter este agradável "está-se bem" em que me encontro. Na hora e meia de espera, impacientei-me. Senti a falta dum livro para ler, mas também não teria conseguido concentrar-me, penso. Num canto da sala de espera, treco-treco-treco, um indivíduo do sexo masculino com os seus 60 - 70 anos falava de tudo um pouco com a sua voz martelante. E eu que não queria saber do Salazar, nem tão pouco das sapientíssimas opiniões daquele senhor tão bem pensante (e olhem que ele tinha soluções para todos os problemas que afectam a nossa sociedade!) entretive-me a fotografar os meus próprios pés, e a minha generosa barriga. Vista de cima parece ainda mais generosa! :) E joguei dois ou três joguinhos no meu telemóvel; e olhei para a tv, onde se falava da irmã Lúcia (reservo para mim tudo quanto sobre isso pensei)... E mandei calar a criatura falante com o meu mais terrível olhar, mas ela, a criatura, nem sentiu.
Na parede, estava afixado um cartaz onde se lia "Silêncio - respeite esta unidade de saúde" Coitadinha da unidade desrespeitada!
Enfim, chegou a minha vez.
Sou só eu que gosto que os médicos sejam atenciosos e carinhosos? Que nos tratem também a alma?
Este não era. Mas esclareceu as minhas dúvidas, passou medicamentos e análises. E eu, por ora, sinto-me bem.
Mas a unidade de saúde enervou-me um pouco.
Agora vou ver a primavera, para me acalmar.
E de repente, a primavera chove. Pode lá ser? Mas não é uma chuvinha qualquer que me impede de ir caminhar a pé!!

terça-feira, março 27, 2007

domingo, março 25, 2007

Vês?





Ana, quero mostrar-te a primavera. Fotografei-a ainda há pouco, lá fora. Tem calma que ela há-de chegar aí. Um beijinho para ti!

Tanto por caminhar!...

Ainda que reconheça limitadas as minhas forças e a minha generosidade, estou convencida de que, se alguma missão tenho nesta passagem pela Terra, essa missão será amar. Amar em concreto quem eu conheço, e de preferência não apenas quem merece. Cumpre-me ser mensageira da ternura, da paciência, do sorriso. Cumpre-me escutar muito, e julgar pouco. Ajudar no que eu puder quando for preciso, não cobrar, dar de graça porque de graça recebo. É isto que a Bíblia diz algures, que eu não sou de fixar versículos. Parece pleonasmo, dar de graça... Mas tão grande é a tentação de dar de olhos fitos na recompensa; tantos há por aí que nos atiram à cara dívidas de gratidão, dessas que por muito que se paguem nunca diminuem!... que sim, faz sentido isto: De graça recebestes; de graça dai.
Sinto-me grata aos Amigos, porque entre nós dar e receber é natural como respirar.
Sinto-me grata a Deus, que me dá TUDO.

Mas limitada nas minhas forças e na minha generosidade.

Releio este texto e parece-me pomposo e superficial. Cheira-me a discurso. Mas é o que tenho andado a pensar nestes últimos dias, e fica aqui, assim mesmo. O sentimento não é superficial nem pomposo. Mas as palavras às vezes não colaboram comigo... :(

sexta-feira, março 23, 2007

Uma certa serenidade

Como explicar-vos isto? É simples, tão simples que me parece não poder ser explicado... Não tenho sentido aquele vazio que me enche por dentro às vezes, e a ausência de um tal vazio deixa-me leve e contente. Leve de alma, de corpo ainda não, mas lá chegarei.
Chego à conclusão que este esforço para cuidar de mim, para poder um dia olhar ao espelho e sentir-me uma mulher bonita, vale por si mesmo, quase independentemente do resultado. Depois duma hora a caminhar a pé, ainda que as pernas me doam um pouco, tudo por dentro me doi muito menos, ou nada.

Sobre o olhar ao espelho: muita gente muitas vezes me disse que eu era bonita por dentro, e que era isso o importante. Sempre o senti como uma espécie de prémio de consolação, uma coisa que só dizemos às pessoas que achamos que são feias. Por fora, entenda-se.
Esta vontade de ser bonita ataca as pessoas por volta dos dez anos, mais ou menos. Ou antes, provavelmente antes. Eu, pelo contrário, sempre quis ser feia para me proteger duma data de coisas que não vêm ao caso num blogue, e, tendo-me convencido que o era, assim me tornei. Mas foi uma faca de dois gumes, claro, e muito me feri.
Não me firo mais, prometo.
Não por isso.

Latildo,



meu cão azul, estou-te grata por me arrancares da modorra, por me chamares para a rua, por saltares feliz à minha frente e me incentivares a correr, por esse teu entusiasmo contagiante com a vida, as flores, o vento, o sol, o lusco-fusco, a noite.

Geo visitors

Eu gostava de perceber porque é que há alguém na Turquia que lê assiduamente este blogue...

Querida Prima Vera


さくら / Cherry
Originally uploaded by *Sakura*.
tu chegaste e ainda não me tinha lembrado de te saudar!...

quarta-feira, março 21, 2007

Dos nossos passeios



Por aqui há cidade e há campo. E há praia também. E eu gosto de olhar mil vezes os mesmos pormenores, e repetir passos parecidos todos os dias.
Hoje desviei-me da rota habitual e fui caminhar por outros sítios, igualmente bonitos ou ainda mais, mas não levei máquina fotográfica. Ainda assim, deliciei-me com a maravilha das coisas que todos os dias lá estão. Os barcos, as águas, a luz. Os caminhantes solitários, a rapariga sentada no banco, outra vez barcos, os nomes dos barcos, a ria...
Hoje estou muito cansada, mas é um cansaço apenas físico, bom!

terça-feira, março 20, 2007

O meu cão

Comprei um cão. Foi caríssimo. Mas eu precisava de um cão, porque um cão precisa que eu o leve à rua, e eu preciso de caminhar. Este cão é o meu personnal trainer (escreve-se assim?).
É um cão imaginário. Imaginado. Azul, para não se confundir com os outros cães, e para eu saber que é o meu.
Chama-se Latildo.
Vou passear o Latildo.

segunda-feira, março 19, 2007

Há por aí alguém

que nunca diga coisas insensatas?
Há por aí alguém que tenha sempre conversas inteligentes e interessantes?

(Mas isso deve ser muito cansativo, não?)

domingo, março 18, 2007

Desfabular

A formiga laboriosa lá vai trabalhar.
A cigarra que vive num cantinho do cérebro da formiga, fica ao sol, a espreguiçar-se e a cantar.

quinta-feira, março 15, 2007

À tarde fui passear





Saí ainda com muito sol, e regressei era já quase noite.
Pelo meio, uma pausa para um cafezinho sublime...
Andar a pé e olhar para as coisas faz-me bem.
Quem sabe se não fará também bem às coisas que eu olhe para elas! :)

Perguntas duma mulher de meia idade

Haverá reforma para mim quando eu tiver idade para isso?
Terei dinheiro para pagar o lar de terceira idade?
Haverá internet no lar?
...

Serei (ao menos minimamente) feliz?

Chegarei lá?

Coisas indisfarçáveis

Era um projecto que eu tinha, uma coisa que eu queria. Mas desisti, porque, como a maioria das pessoas que conheço, não posso sempre ter o que queria. Uma amiga pergunta-me. Então...? E o riso indisfarçável. Uns largos dias depois, ainda penso no riso. Porque é uma amiga (não o ponho em causa) e achou engraçado ver-me desistir de um sonho.
Então penso na maldade. Uma maldadezinha que se insinua...
Penso nas coisas sombrias que temos dentro de nós e que não combinam connosco.

terça-feira, março 13, 2007

Uma da manhã

E eu a fazer um bolo de laranja. Deu-me para isto, vá-se lá saber porquê.

Ando a tentar comer equilibradamente, mais do que fazer dieta. O bolo de laranja só vem pôr à prova a minha tenacidade, a minha capacidade de comer coisas boas com moderação. Enfim, espero que fique bom... Se ficar mau, a moderação será mais fácil...

segunda-feira, março 12, 2007

Repeat mode

Não me canso de ouvir

Eu tenho um anjo da guarda
que me protege de noite e de dia...
A toda a hora
em todo o lado,
posso contar com a sua vigia.
Não usa arma,
não usa força,
usa uma luz com que ilumina a minha vida.

(dos Humanos)

E tenho mesmo!

domingo, março 11, 2007

Domingo à noite


Na companhia da gatinha Nuvem, dou-me à preguiça. Vejo o telejornal na net (estou sem televisão há meses, o que se calhar faz de mim um bicho raro, e não lhe sinto a falta, o que faz de mim um bicho raríssimo...), leio os blogues de que gosto, ouço música... Crio um blogue novo só para fotografias...
Mais nada.
O dolce fare niente é quase meu homónimo.

sábado, março 10, 2007

Das coisas boas

Ouvir os putos dizerem "a tia, a tia!", quando chego. Abraçá-los. Vê-los crescer. Partilhar com o mais velho as dificuldades da tabuada... (sim, as minhas dificuldades também...)

"Ficas para tia!", ameaçavam as vizinhas em tempos idos, quando não me consideravam um caso perdido. E ser tia é a melhor coisa do mundo!

sexta-feira, março 09, 2007

Obrigada!



Foi muito bom o dia do meu 41º aniversário.
Também (muito!) graças aos vossos mimos.
(As flores guardei-as num armário, que as minhas gatas parvas queriam comê-las.)
Pronto, estes 41 já ninguém mos tira!... :)

quarta-feira, março 07, 2007

Da insegurança

...de querer que me digam, claramente dito, que faço falta, que sou importante.
De ter 14 anos e fazer amanhã 41.

Era do que falaria, se não tivesse mais que fazer.

segunda-feira, março 05, 2007

Olhar

É preciso prestar muita atenção às coisas, concluo eu. E é uma conclusão cheia de reticências, porque acho que a vida só me permite concluir no fim, e não me avisa quando é o fim. A vida é inconclusiva, eu diria...
Se presto atenção, vêm ter comigo a beleza das coisas e a sede dos outros, como eu sequiosos da beleza das coisas.
Se presto atenção, sinto-me viva, e sinto-me útil.
Se me distraio, adormeço. E o sono, quando ando de olhos abertos a fingir-me acordada, é terrível.

sexta-feira, março 02, 2007

Coisas tontas que me fazem rir muito

Dois galgos a correr atrás de um táxi.
E quando chegam perto, diz um para o outro:
- Vês? Eu não te disse que era "LIVRE", não era "LEBRE"?

quinta-feira, março 01, 2007

Desabafo em dó maior

Não atinjo qual seja a razão, mas seguramente que os bêbedos simpatizam comigo. E todos, todos, me dizem "estou muito bêbedo".
Há muitos anos, era eu uma alegre teenager, um bêbedo que me conheceu numa viagem de comboio, ofereceu-me uma caneta Parker. Começou aí a minha carreira como confidente e apoiante de seres alcoolizados.
Eles espreitam, a cada esquina, conheçam-me ou não, e eu não sou capaz de os abandonar.
Hoje tive uma conversa absolutamente surrealista (e estúpida) com um:
- Porque é que o senhor bebe assim?
- Para esquecer.
- Esquecer o quê? Já se esqueceu, se calhar...
- Pois, esquecer o que passei. Não tenho mãe nem pai...

Não. Não tenho simpatia por bêbedos. Arrepia-me o cheiro a álcool. Pergunto-me sempre o que os leva a chegar àquilo.
Mas são seres humanos, não posso deixar de lhes estender a mão, ampará-los até porto seguro, se for caso disso.
Uma vez na Madeira vi um homem morto na berma da estrada. Tinha caído, durante a noite, e ali ficara. De manhã, já lá estava o lençol branco, a polícia... E eu passei, naquele dia como nos outros, a caminho da escola. Na verdade, dessa vez não soube o que se passou. Disse-se por lá que esse homem andava às vezes bêbedo pelos caminhos.
Eu não queria que as pessoas perdessem (ou jogassem fora) a dignidade que têm. Sei que há mil maneiras de a perder, essa tal dignidade, e muitas vezes de forma mais inocente.
Às vezes também tenho medo do meu futuro, do que posso viver, da valeta, e de que ninguém me estenda a mão.