sexta-feira, maio 26, 2006

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São tão efémeras, as papoilas, e tão lindas!
Exactamente aquilo que são, alegres, pintalgando de vermelho os campos verdes, e alegrando a vista a quem passa. E no dia seguinte, já morreram. Estão outras.

Temo tanto a morte que me custa pronunciar-lhe o nome.
E no entanto, sei que um dia, necessariamente, me deixarei ir. É assim com quase toda a gente, é ou não?
E de repente ouvimos falar de gente muito jovem que morreu...

Eu tinha um irmão que nunca mais vi, que nunca mais ouvi rir, com quem nunca mais partilhei as mil coisas diárias, alegres ou não. Partiu quando tinha apenas 24 anos. Naquela altura, parecia que o mundo terminava. Abanou muito.
Hoje, o meu irmão acompanha-me todos os dias.
E eu devia nem sequer temer a morte.

ADENDA: Leio este texto e penso que talvez devesse apagá-lo, para não ferir de alguma forma quem possa lê-lo de feridas abertas. Mas talvez não. A blogosfera torna próximas pessoas que nunca vimos, e eu, que apenas por leituras cruzadas percebi mais ou menos o que se passa, queria que vocês soubessem que conheço essa dor. Que ela não se apaga nunca, mas vai deixar de ser insuportável.
:(

8 comentários:

Visi disse...

Adoro papoilas, até o nome é lindo.

Espero nunca sentir essa dor.Espero tmabem que passe depressa. mas as dores, na nossa capacidade é dificil de superar e deizam sempre marcas profundas e duradoura. Chega-te a Deus. Ele saberá o que fazer por ti!

Beijos grandes

Teresa Frazão disse...

Obrigada por nos contar essa dor.
Partilhar, partilhar sempre ajuda mesmo. Somos pessoas. Damo-nos as mãos

Dulce disse...

Dei ao texto este título, porque acredito que quem morre volta para o Amor do Pai. Acredito mesmo!

tikka masala disse...

Gostaria de ter essa tua candura, essa tua enorme abertura para o amor. Mas tenho a tua amizade, já não é nada mau, mesmo! Obrigada por essa importante partilha - sobretudo pela forma simples e bonita como és capaz de dar a volta por cima.

Rotundus disse...

O egoísmo é própro do ser humano e, embora conhecendo a tua dor ( sabes que sim ), continuo, egoistamente, a pensar que a minha é a maior.
De qualquer forma obrigada pelo apoio.
Nem sempre escrevo , mas tenho lido sempre os teus " dizeres " neste espaço.Continuas a ser a "minha" Dulce.
Beijos

Vilma disse...

Obrigada.. soube bem ler Dulce! :)

Tit disse...

Já reparei e tenho comentado com amigos que este ano se vêem muito mais papoilas... E, mesmo tão efémeras, deixam-nos o dia tão mais colorido... De certeza que passa também por aí o objectivo da nossa vida por cá - colorir um pouco mais o dia daqueles com quem nos cruzamos ;)
Parabéns por este teu espaço de cor...

dinorah disse...

Obrigada... espero pelo tempo, por Deus e por ele. Hão-de me ajudar.